Black Friday só vai funcionar quando varejistas mudarem, diz organizador

Pedro Eugênio faz balanço do evento, que teve recorde de vendas e ofertas falsas

Pedro Carvalho - iG São Paulo | - Atualizada às

A Black Friday brasileira, versão nacional e online do dia do desconto americano, chega perto do final com recorde de vendas, mas muitas reclamações dos consumidores. O valor faturado na edição passada, de R$ 100 milhões, foi superado por volta do meio-dia desta sexta-feira, e os organizadores esperam que o dia termine com R$ 135 milhões comercializados. Mas sites fora do ar e descontos "maquiados" provocaram protestos nas redes sociais e fizeram o Procon-SP notificar o evento.  

Veja o balanço feito por Pedro Eugênio, do site Busca Desconto, organizador da Black Friday.

Divulgação
Pedro se diz surpreso: "fui a todas as grandes varejistas pedir que não maquiassem descontos"

iG: As vendas da Black Friday foram tão boas quanto se esperava?

Pedro Eugênio: No último fechamento, que fizemos ao meio-dia, já havíamos superado as vendas da edição passada, que foram de R$ 100 milhões. (Nota da redação: em 2011, foram cerca de 55 lojas participantes, enquanto nessa o número passou de 300.) Está de acordo com as expectativas, que eram de R$ 135 milhões ao todo. É difícil dizer se o número será batido porque o pico de vendas acontece nas primeiras horas. Mas devemos bater.

iG: Nesse pico de vendas inicial, o site ficou fora do ar e gerou protestos. O que aconteceu?

Pedro Eugênio: Realmente, o site caiu, a gente teve um pico muito grande de acessos, mas logo tomamos as providências e o serviço voltou. Nosso servidor tava preparado para aguentar cinco vezes o tráfego de um grande e-commerce, mas não foi suficiente. Tivemos de subir a capacidade do servidor e reprogramar algumas páginas para contornar a questão.

iG: Outra queixa foi sobre os descontos "maquiados", de produtos que subiram de preço nos últimos dias para parecer que tiveram desconto hoje...

Pedro Eugênio: Ótimo que você perguntou, eu ia comentar sobre isso agora. Fiquei espantado que algumas lojas fizeram isso. Mas a gente se juntou para tirar do ar as ofertas maquiadas. (Nota da redação: 500 produtos estavam nessa situação). A dica é que o consumidor pesquise e, se o desconto for falso, saia dessa loja e compre em outra, as opções são gigantescas na internet. O único jeito de acabar com isso é o consumidor não comprar. Mas tem muita coisa boa (ofertas). 

iG: Essas varejistas serão excluídas de uma próxima edição?

Pedro Eugênio: (Após pensar) Acho que tem um aprendizado. Não sei o que vai acontecer. Acho que elas já foram penalizadas, o consumidor reclamou nas redes sociais, percebeu o truque delas. Acho que esse é o grande castigo. E eu tinha ido a todas essas grandes varejistas, pedi que não fizessem isso, que se não tivessem como dar o desconto então que ficassem de fora do evento... Mas algumas fizeram. Nós selecionamos para destacar na página do Busca Descontos só as ofertas verdadeiras, mas quando o consumidor ia para a página da varejista acabava encontrando descontos maquiados...

iG: O Procon-SP notificou as varejistas e organizadores devido a esses problemas. Você já tem um posicionamento sobre isso.

Pedro Eugênio: Vou esperar ser notificado oficialmente para me posicionar, mas com certeza vamos ver com o Procon o que podemos fazer para ajudar a melhorar o evento. 

iG: A Black Friday acontece de novo em 2013?

Pedro Eugênio: Tenho certeza que a Black Friday no Brasil já é uma realidade, que deve se expandir pro mundo físico também. Mas só vai funcionar quando o varejista entender o tamanho disso. A Black Friday pode passar as vendas de muitas outras datas sazonais do comércio, pode se expandir para lojas físicas... Tem que fazer. Arrumar as coisas erradas, pedir ajuda para o Procon, melhorar o que for preciso. Mas temos que fazer.


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