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Prêmio de risco dos títulos espanhóis e italianos dispararam nos últimos dias, diante da desconfiança do mercado

A Zona do Euro mobilizou nesta quarta-feira todas suas armas políticas e dialéticas, em consultas telefônicas e reuniões de emergência em diferentes capitais, para evitar que Espanha e Itália se tornem vítimas fatais da crise da dívida soberana.

O fato de, na última terça-feira, a Comissão Europeia ressaltar sua plena confiança nas medidas de ajuste e de reforma de Madri e de Roma e descartar taxativamente um resgate não evitou que os prêmios de risco espanhol e italiano marcassem novos recordes.

Na capital espanhola, o diferencial entre os juros da dívida espanhola e da alemã a dez anos ficou em 377 pontos-base, após ter alcançado o patamar de 407 pontos. Dessa forma, o rendimento que o Estado espanhol tem que oferecer para que os investidores decidam comprar bônus nacionais no lugar dos germânicos atingia 6,2% a poucas horas do fechamento da bolsa.

Em Roma, o prêmio de risco da Itália abriu com um novo recorde de 390 pontos-base, com rendimento de 6,2%, mas pela tarde foi reduzido a 364 pontos, com rentabilidade de 6%.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, classificou de "injustificado" o temor dos mercados em relação a Espanha e Itália. A pressão fez com que os contatos a todos os níveis se intensificassem nas últimas 24 horas entre as capitais da Zona do Euro e as instituições europeias.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, conversou por telefone com o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy; e o ministro de Finanças da Itália, Giulio Tremonti, falou com o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, sobre as medidas de contenção do contágio, além de ter se reunido em Luxemburgo com o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

Em sintonia com o que Zapatero pediu na terça-feira por telefone, Barroso afirmou que é "essencial" proceder rapidamente na implementação dos acordos alcançados na cúpula extraordinária de chefes de Estado e de Governo, principalmente no segundo resgate à Grécia e nos novos poderes concedidos ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

O fundo de resgate poderá atuar para prevenir a crise, financiar a recapitalização de bancos mediante empréstimos aos Governos, e intervir nos mercados secundários em circunstâncias excepcionais e em consultas com o Banco Central Europeu. O problema é que ainda não foram concretizados os detalhes práticos em um texto legal que, além disso, precisa ser assinados pelos 17 Governos da zona do euro e aprovado pelos Parlamentos nacionais antes de poder ser empregado como veículo financeiro para espantar os especuladores.

Nesta quarta-feira, fontes da União Europeia (UE) não descartaram medidas de contenção alternativas, mas destacaram que os técnicos da Comissão Europeia estão trabalhando "dia e noite" no texto sobre a nova estrutura do fundo. Na semana passada houve uma conferência telefônica e nesta quarta-feira o Grupo de Trabalho para a Grécia se reuniu para continuar avançando. Embora ninguém tenha antecipado uma data, Barroso informou que o processo será completado "com urgência".

Por essa razão, o presidente da Comissão Europeia escreveu aos 17 Governos para pedir que os Parlamentos ratifiquem a reforma do fundo "sem atraso", porque as tensões nos mercados refletem uma crescente preocupação entre os investidores sobre a capacidade sistêmica da Zona do Euro de responder à crise.

Zapatero e Van Rompuy concordaram nesta quarta-feira em conversa telefônica sobre a necessidade de que o plano de ajuda à Grécia e as medidas para fazer frente aos ataques contra as dívidas soberanas sejam iniciados o mais rápido possível.