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O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, cobrou resultados urgentes do G8, o grupo das sete economias mais ricas do mundo e a Rússia, no combate à escalada dos preços internacionais dos produtos básicos (commodities) agrícolas. Ao lado do secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-Moon, Zoellick advertiu que a atual crise pode lançar 100 milhões de pessoas na miséria e comprometer os resultados positivos já obtidos pelas políticas de desenvolvimento em vigor.

Seu alerta foi disparado ao final da reunião dos líderes do G8 com os de sete países africanos - Argélia, Tanzânia, África do Sul, Senegal, Gana, Nigéria e Etiópia - e o presidente da União Africana, Jean Ping. Zoellick e Ban participaram do encontro.

"Nós precisamos agora de pesquisa, ação e resultados", afirmou Zoellick, ao sustentar que os organismos internacionais e os países desenvolvidos devem concentrar atenção nas economias mais vulneráveis à crise alimentar. "A alta dos preços dos alimentos já está fazendo o relógio dos ganhos com o desenvolvimento girar ao contrário", resumiu o secretário-geral das Nações Unidas, que pediu ao G8 para não voltar atrás em suas promessas anteriores de destinar ajuda financeira à África.

Nos cálculos de Ban, apenas para as políticas de combate a doenças como tuberculose, malária e Aids, a África precisaria de uma ajuda de US$ 62 bilhões. Até agora, o único compromisso do G8, firmado em 2005, foi a destinação de US$ 25 bilhões até 2010. A expectativa é que amanhã, em Hokkaido, o G8 concorde em dobrar esse volume de recursos. Conforme sustentou, é preciso encontrar soluções conectadas entre si para as três crises que se espalham pelo mundo - a dos alimentos, a do desenvolvimento e a da mudança do clima.

Para Zoellick, que foi o principal negociador comercial dos Estados Unidos antes de assumir a presidência do Banco Mundial, uma das receitas para o combate dessa crise está na conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), por sua capacidade de derrubar as barreiras tarifárias e os subsídios agrícolas que distorcem as trocas internacionais. A Rodada atravessa seu momento mais crítico neste mês, quando os membros da OMC terão de decidir se concluem os acordos agrícola e de indústria/serviços até o início de agosto, se suspendem a negociação ou se a enterram de vez. Na segunda hipótese, a expectativa do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, é de retomada das conversas apenas a partir de 2010.

Na opinião de Zoellick, a crise alimentar abre uma oportunidade para o G8 traçar uma política de desenvolvimento mundial de longo prazo, apoiada principalmente no investimento das nações mais ricas na expansão e no aumento da produtividade agrícola dos países mais pobres. Conforme citou, apenas 4,9% das terras aráveis da África são irrigadas. No Sudeste Asiático, esse porcentual alcança 40%.

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