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Futuro preocupa acionistas; 35 mil pessoas lotaram o encontro anual da Berkshire Hathaway, em Omaha

Encontro anual de acionistas da empresa de Warren Buffet é conhecido como Woodstock do capitalismo
Mila Burns, especial para o iG
Encontro anual de acionistas da empresa de Warren Buffet é conhecido como Woodstock do capitalismo
A preocupação dos 35 mil acionistas que lotaram o encontro anual da Berkshire Hathaway , hoje, em Omaha, não era apenas com a imagem da empresa, mas com o futuro dela.

Quem irá substituir o octogenário Warren Buffett na presidência depois que o mais provável sucessor, Dave Sokol, pediu demissão?

O oráculo de Omaha teve que enfrentar uma sabatina. Das cinco primeiras perguntas direcionadas à Warren Buffett esta manhã, três foram sobre o caso Sokol.

As questões foram selecionadas por jornalistas a partir de emails enviados por acionistas da empresa.

Carol Loomis, editora da revista Fortune, fez a primeira delas: por que, quando soube do caso, o empresário não se manifestou à moda antiga, demitindo Sokol na hora e expressando sua raiva?

Buffett disse que soube do caso no dia 14 de março, mas Sokol não havia dado qualquer indicação de irregularidade.

Somente depois de receber uma ligação de um funcionário do Citigroup, Buffett disse ter se dado conta de que algo estava errado.

“Embarquei para uma viagem à Ásia e nossos advogados interpelaram Sokol. Eu não tenho um celular moderno, então não tive as informações completas enquanto estava viajando. Quando voltei, no dia 26 de março, a carta de demissão de Sokol parecia ter surgido do nada. Mas tenho que admitir que essa demissão nos poupou algum dinheiro”, brincou Buffett, se referindo a não ter de pagar indenizações.

Enquanto Buffett se desdobrava para explicar o caso Sokol, Charlie Munger, vice-presidente da Berkshire Hathaway, fazia a alegria do público, dando sorrisos irônicos e pontuando as falas de Buffett com “nada mais a declarar”.

Buffett admitiu que o caso foi “inexplicável e indesculpável”. A parte “indesculpável” foi Sokol ter quebrado o código de ética da Berkshire Hathaway. Ele adquiriu ações da Lubrizol e logo depois convenceu o chefe a comprar a petrolífera. Com a valorização dos papéis, teve um lucro de US$ 3 milhões. O empresário disse que nunca vai entender por que Sokol fez o que fez, já que ele deixou registradas todas as suas compras, como se não tivesse se dado conta de que o que estava fazendo era errado.

Buffett também se desculpou por não ter sido mais “raivoso” em sua carta à imprensa e aos acionistas, em março, anunciando a demissão de Sokol. Nessa hora, Charles Munger finalmente teve algo a declarar. Acrescentou que “aquele comunicado à imprensa não foi o comunicado mais inteligente da história do mundo”.

Sobre a sucessão no comando da empresa, o octogenário disse que não tem certeza de que Sokol seria seu substituto natural. Sem dizer o nome, revelou que já tem alguém em mente para o cargo. “Eu apostaria muito dinheiro no caráter dele, que é reto como uma seta”.null

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