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A Vivendi divulgou um novo comunicado ontem sobre a sua participação na operadora brasileira GVT, respondendo a ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O grupo francês informou que sua participação no capital da companhia alcançou 50,9%, aplacando rumores de que poderia não obter a maioria das ações.

Mesmo assim, as dúvidas sobre o negócio persistem no mercado. A CVM resolveu investigar o negócio depois de ter recebido reclamações de acionistas minoritários. A autoridade do mercado acionário brasileiro informou que, mesmo depois das informações prestadas pela Vivendi, as investigações prosseguem.

O grupo francês anunciou a compra da GVT em 13 de novembro, a partir de uma intrincada operação que combinava a compra direta de 37,9% das ações mais o direito de adquirir outros 19,6% por meio de contratos de opções. O preço pago por ação da GVT, de R$ 56, avaliou a operadora em R$ 7,2 bilhões. A principal dúvida está nessas opções de compra. O fundo Tyrus, dono dessas opções, havia informado somente quando sua participação indireta chegou a 6,6%. As regras do mercado exigem que se informe a aquisição de fatias acima de 5%.

Segundo o vice-presidente de comunicação da Vivendi, Simon Gillham, a empresa realizou o negócio seguindo os mais altos padrões de governança corporativa. "Estamos confiantes de que podemos responder a todas as questões da CVM", afirmou.

Gillham mostrou irritação ao ser perguntado sobre as opções de compra, dizendo que não poderia responder pela Tyrus e que todas as informações estavam no comunicado.

Para o advogado Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM, a Vivendi não poderia ter anunciado que compraria o controle sem apresentar uma oferta pública, já que havia uma oferta da Telefônica. Por causa do anúncio da compra da GVT pela Vivendi em 13 de novembro, o leilão de compra de ações pela Telefônica, marcado para 19 de novembro, acabou não acontecendo.

"Houve um comportamento da Vivendi que não foi o mais adequado", disse Cantidiano. "Ela negociou na sombra, de maneira pouco clara. Um leilão seria benéfico para os acionistas da GVT e para o mercado como um todo." O advogado citou a deliberação de número 2 da CVM, de novembro de 1978, dizendo que a empresa teria de fazer uma oferta pública.

Para alcançar a participação de 50,9% anunciada ontem, a Vivendi informou ter exercido 8,8 milhões de opções de compra no dia 20 de novembro. Essas ações, somadas às opções ainda não exercidas, elevam a participação da Vivendi no capital da operadora para 62,85%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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