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SÃO PAULO - Um dos grandes responsáveis pelo crescimento da economia brasileira nos últimos anos, o consumo interno deu sinais claros de desaceleração durante as vendas de Natal. Sem a fartura de crédito disponível até setembro e preocupado com os desdobramentos da crise em 2009, o consumidor brasileiro pisou no freio no final do ano, em uma indicação do que poderá ser a economia doméstica no ano que se avizinha.

Os números divulgados nesta sexta-feira por entidades representativas do comércio varejista mostram que as vendas de Natal tiveram desaceleração bem superior à que é esperada até agora para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

Segundo estimativas do Banco Central (BC), o crescimento do PIB brasileiro deve recuar de 5,6% neste ano para 3,2% em 2009. O governo, por sua vez, trabalha com a meta 4%, enquanto o mercado aposta em uma expansão mais discreta, de 2,4%.

De qualquer forma, as vendas de Natal mostraram desaceleração bem mais acentuada quando comparadas ao que ocorreu em 2007. Segundo a Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop), as vendas referentes ao mês de dezembro avançaram 3,5% sobre igual intervalo de 2007. Naquele ano, entretanto, o setor registrou o melhor desempenho em 10 anos, com crescimento na casa dos 10%.

Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) informou um crescimento de 1,65% sobre 2007 no movimento de vendas registrado entre 1º e 25 de dezembro. Apesar da alta, o desempenho mostrou desaceleração significativa, já que o crescimento no ano passado ficou em 7,9%. Segundo a associação, a desaceleração reflete tanto a redução na oferta de crédito quanto a opção dos consumidores por produtos de menor valor.

O mesmo movimento foi observado nos dados divulgados pela Serasa Experian. De acordo com a entidade, o Natal de 2008, computado na semana de 18 a 24 de dezembro, mostrou uma expansão de 2,8% nas vendas. Porém, na comparação entre 2007 e 2006, a alta no mesmo intervalo de comparação ficou em 5,3%.

Também na opinião dos técnicos da Serasa, o crédito mais escasso e caro, bem como a postura mais cautelosa do consumidor, influenciaram na desaceleração das vendas.

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