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O argentino Banco Patagônia seria vendido nos próximos dias para o Banco do Brasil, afirmaram no fim de semana fontes do mercado na city financeira portenha. Na sexta-feira, o Patagônia emitiu um comunicado no qual indicou que as negociações com o Banco do Brasil "estão muito avançadas".

O argentino Banco Patagônia seria vendido nos próximos dias para o Banco do Brasil, afirmaram no fim de semana fontes do mercado na city financeira portenha. Na sexta-feira, o Patagônia emitiu um comunicado no qual indicou que as negociações com o Banco do Brasil "estão muito avançadas". Além disso, a entidade - a quinta do ranking argentino em depósitos e quarta em patrimônio líquido - afirmou que "estima-se que nos próximos dias (ambos lados) poderiam chegar a um acordo que poderia incluir por parte do BB o controle do Banco Patagônia". No final dessa jornada, com os rumores sobre a iminente venda, as ações do Patagônia registraram uma alta de 6,2% na Bolsa de Buenos Aires.

Se a compra for concretizada, esta seria a primeira entidade financeira que o Banco do Brasil adquire fora do território brasileiro, dentro de sua nova estratégia de internacionalização.

Apesar do significativo desembarque de empresas brasileiras na Argentina principalmente desde 2002 nos mais diversos setores (cimento, têxteis, calçados, frigoríficos, combustíveis, entre outros), a área bancária argentina somente havia sido explorada até agora pelo Banco Itaú, que conta com uma rede de 81 filiais em todo o país, em grande parte decorrente da aquisição do Banco del Buen Ayre em 1998, por US$ 225 milhões.

O Patagônia possui ativos pelo valor de US$ 2,5 bilhões, um patrimônio líquido de US$ 481 milhões e depósitos equivalentes a US$ 1,7 bilhão. Ao redor de 75% das contas correntes do banco estão conectadas ao pagamento de salários e benefícios. O banco conta com 170 agências em toda a Argentina, que possuem 250 caixas eletrônicos.

O Patagônia concentra 463 mil contas de funcionários de 3.323 empresas, principalmente pequenas e médias companhias. O banco administra um milhão de cadernetas de poupança.

A expectativa em Buenos Aires é que o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, assinaria em breve o acordo na capital argentina com os irmãos Ricardo e Jorge Stuart Milne, que controlam 49,9% das ações com direito a voto, além da diretoria do banco.

Atualmente o BB conta com apenas uma filial em Buenos Aires, em pleno coração da city financeira, na esquina das ruas Sarmiento e 25 de Mayo, a quatro quarteirões da Casa Rosada, o palácio presidencial. Presente há décadas em Buenos Aires, o banco jamais foi além desta única sucursal, basicamente dedicada ao atendimento de operações comerciais e da pequena comunidade brasileira na região da capital argentina e sua área metropolitana.

Os analistas financeiros indicam que o mercado argentino é "interessante" para que um banco de grandes dimensões - como o Banco do Brasil - desembarque na Argentina, já que o setor bancário propicia um amplo espaço para expansões no país. No entanto, também ressaltam que o setor financeiro argentino vive sob o intermitente temor sobre os problemas de financiamento do governo.

Segundo Ricardo De Lellis, da consultoria KPMG, o desembarque de bancos brasileiros na Argentina está em sintonia com "a nova dimensão do Brasil" nos mercados de capitais.

Reputação

O Patagônia, criado originalmente nos anos 70 com o nome de Banco Mildesa, conta com boa reputação no mercado argentino, pois passou incólume pela crise financeira de 2001-2002. Após esse conturbado período expandiu-se ao longo da década com a compra das filiais locais do Lloyds TSB e do Sudameris. Ao redor de 56% de suas operações estão concentradas na cidade de Buenos Aires e na província de Buenos Aires. Essa área aglutina 60% do PIB e da população argentina. Nos últimos meses o Patagônia fez um profundo "saneamento" da empresa, de forma a tornar o banco "mais atraente" para o BB.

A família Stuart Milne, que liderada a diretoria do Patagônia, é encarada na city financeira portenha como "alinhada" com o governo da presidente Cristina Kirchner e do ex-presidente Néstor Kirchner. O setor bancário é um dos poucos que não teve confrontos diretos com o casal Kirchner.

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