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RIO - O ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso afirmou hoje que os bancos centrais da Europa e da Inglaterra deveriam ter a preocupação de não contribuir para um cenário de recessão global. Segundo ele, as pressões inflacionárias atuais estão centradas nos setores de alimentos e energia e deveriam ser enfrentadas com iniciativas também localizadas.

Para Velloso, a resistência dessas instituições em reduzir os juros pode levar a uma trajetória de agravamento da crise, em um processo semelhante ao que ocorreu em 1929, quando, de acordo com o ex-ministro, a relutância do governo norte-americano em evitar uma recessão acabou causando uma depressão global.

É preciso saber o que é prioritário, o momento é de evitar uma recessão mundial. Não vamos cometer o crime que ocorreu em 1929, quando os Estados Unidos fizeram um grande erro, transformando recessão em depressão e exportando essa depressão (para o resto do mundo), afirmou Velloso, que participou hoje do último dia do Fórum Especial, organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae).

Ontem, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra, mantiveram suas taxas de juros em 4,25% e 5% respectivamente, apesar dos sinais de desaceleração econômica na região.

Também presente ao evento organizado pelo Inae, o diretor do Banco Mundial John Briscoe evitou comentários sobre a atuação dos bancos centrais, mas elogiou o Brasil e frisou que há dez anos seria inimaginável ocorrer uma crise nos EUA sem que o país fosse contaminado em pouco tempo. Antes, o Brasil era sempre o primeiro a pegar uma pneumonia, pontuou Briscoe.

O diretor do Bird ponderou que em algum momento a economia brasileira acabará sendo afetada pela crise global, mas ressaltou que o trabalho macroeconômico feito nos últimos 15 anos contribuiu para que o país ficasse mais resistente e se transformasse, segundo ele, no grande foco de estabilidade na América Latina. Hoje, igualmente importante à economia americana (para o país), é se a China entrará em crise. O Brasil não é mais dependente apenas dos Estados Unidos e isso dá maior estabilidade, afirmou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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