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Por Renato Andrade SÃO PAULO (Reuters) - A Votorantim Celulose e Papel anunciou nesta quarta-feira o primeiro passo concreto na tentativa de fundir suas operações com a Aracruz, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo.

Em comunicado ao mercado, a VCP informou que vai comprar 127.506.457 ações ordinárias da Aracruz que estão em poder da Arapar S.A., que integra o bloco de controle da empresa.

As ações representam 28 por cento do capital votante da Aracruz ou 12,4 por cento do capital total. A VCP já detém 28 por cento de participação na Aracruz. O valor global da aquisição somará 2,71 bilhões de reais.

'Os ganhos de escala e os benefícios operacionais e administrativos criarão uma companhia com o menor cash cost de produção de celulose do mundo e sinergias totais estimadas em aproximadamente 4,5 bilhões de reais', afirmou a VCP em comunicado divulgado em seu site na Internet.

O movimento feito pela VCP foi bem recebido no mercado.

As ações da VCP subiam 6,24 por cento, para 38,80 reais, às 12h37. No início do pregão, os papéis chegaram a subir mais de 8 por cento na Bolsa de Valores de São Paulo, reagindo ao comunicado.

No caso da Aracruz, as ações caíam 0,10 por cento, para 10,50 reais, mas elas chegaram a recuar mais de 4 por cento nos primeiros negócios.

'Vem em linha com o plano estratégico da VCP de se tornar a maior empresa fornecedora de celulose de eucalipto do Brasil', afirmou Peter Ping Ho, analista do setor de papel e celulose da Corretora Planner, em São Paulo.

'Com essa compra ela se torna majoritária na Aracruz', acrescentou.

TROCA DE PAPÉIS

Se o plano vingar, a VCP promoverá uma reorganização societária que passará por uma troca entre ações da VCP e Aracruz.

A relação de troca poderá variar entre 0,22 e 0,24 ação de emissão da VCP para uma ação de emissão da Aracruz, tanto no caso das ordinárias, quanto preferenciais.

'Os administradores da VCP acreditam que a operação aqui descrita será vantajosa para todos os acionistas de ambas as companhias, formando uma líder mundial no setor de celulose e reafirmando a posição do Brasil num mercado altamente competitivo e globalizado', afirmou a direção da VCP em nota.

O processo de consolidação da indústria de celulose do Brasil, atualmente a mais competitiva do mundo em termos de custos, já era esperado por analistas, por conta da necessidade de obtenção de ganhos de escala e aumento de eficiência operacional por parte das empresas.

O movimento da VCP pode esbarrar na decisão da Arainvest Participações S.A., que também é integrante do bloco de controle da Aracruz. A Arainvest terá 90 dias para se pronunciar sobre a opção de exercer ou não o direito de preferência ou de venda conjunta de suas ações.

Se a empresa renunciar ao direto de preferência e de venda conjunta, a VCP tentará firmar um acordo com a Arainvest para compartilhar o controle da Aracruz e VCP.

A operação terá que ser avaliada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelos órgãos que compõem o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.

No segundo trimestre deste ano, a VCP registrou lucro líquido de 135 milhões de reais, queda de 35 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

A empresa tem como meta figurar entre as três maiores empresas globais de celulose do mercado até 2012.

(Reportagem adicional de Rodolfo Barbosa)

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