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O presidente da Vale, Roger Agnelli, não descarta a entrada da companhia no projeto de Belo Monte (PA), caso seja convidada pelo consórcio Norte Energia, vencedor do leilão da usina. "Se formos convidados, vamos estudar as condições apresentadas.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, não descarta a entrada da companhia no projeto de Belo Monte (PA), caso seja convidada pelo consórcio Norte Energia, vencedor do leilão da usina. "Se formos convidados, vamos estudar as condições apresentadas. Mas energia nos interessa, sim", disse o executivo. Segundo Agnelli, a tarifa de R$ 77,97/MWh seria interessante para a Vale, que hoje é a maior consumidora de energia elétrica do País. Essa tarifa, porém, é destinada aos 70% da energia de Belo Monte que foi vendida ao mercado cativo. É provável que o consórcio Norte Energia venda os 30% da oferta não contratados ao mercado livre e aos autoprodutores a um preço mais elevado, para ampliar a taxa de retorno do empreendimento. O executivo não deixou claro se a Vale gostaria de entrar como investidor na usina ou apenas como apenas compradora dessa oferta descontratada. Agnelli lembrou que a empresa estava disposta a pagar até mais por essa energia para garantir um suprimento para as suas unidades industriais. "Nós, enquanto investidores, acreditávamos que o preço de R$ 82,90/MWh dava retorno ao investidor", disse. O valor de R$ 82,90/MWh foi proposto pelo consórcio liderado pela Vale e pela Andrade Gutierrez, que perdeu a disputa por Belo Monte para o consórcio Norte Energia, liderado pela Chesf e pela Bertin. Licitações A mineradora Vale está interessada em disputar as próximas licitações de usinas hidrelétricas promovidas pelo governo federal no Brasil. "Estamos abertos a estudar outros projetos hidrelétricos que nos deem retorno e acesso à energia a um preço competitivo", disse Agnelli. A companhia, junto com Andrade Gutierrez, Votorantim, Neoenergia, Furnas e Eletrosul, disputou a concessão da hidrelétrica Belo Monte (PA), mas foi derrotada na disputa pelo consórcio Norte Energia, liderado por Chesf e Bertin. O executivo lembrou que a companhia precisa garantir um suprimento para as suas operações, que são intensivas em energia elétrica. Neste fim de semana, a Vale anunciou a venda de suas operações de alumínio no Brasil para a norueguesa Norsk Hydro, em razão do alto custo da energia no País, e assumiu uma participação acionária de 22% na empresa norueguesa. "Ao custo da energia que se tem hoje, é inviável fazer um novo projeto de alumínio no Brasil", criticou o executivo. Agnelli lembrou que a Vale tem um déficit pequeno de energia entre 2015 e 2016. Porém, segundo ele, esse déficit pode ser compensando com um aumento de eficiência energética nas próprias operações da companhia. De acordo com Agnelli, a Vale irá analisar todas as próximas licitações de usinas hidrelétricas que o governo federal vier a realizar daqui para frente. O executivo demonstrou interesse no Complexo Hidrelétrico do Rio Tapajós (PA), que ainda não tem previsão de ser licitado pelo governo federal. O interesse da Vale se explica pela proximidade das hidrelétricas em relação às unidades produtoras da mineradora no Pará.

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