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Depois dos alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a União Européia admitiu oficialmente hoje, em Bruxelas, que três de suas cinco maiores economias - Alemanha, Reino Unido e Espanha - estão em recessão neste terceiro trimestre de 2008. As estimativas, as mais pessimistas publicadas até aqui, foram divulgadas pelo Escritório de Estatísticas da UE (Eurostat).

O conjunto da zona do euro (reúne 15 países que compartilham a moeda) deve escapar da recessão.

De acordo com os prognósticos feitos pelo Eurostat, a zona do euro crescerá 1,3% em 2008, uma estimativa 0,4% menor do que o projetado no início do ano. Após o segundo trimestre de decréscimo econômico de 0,2%, o conjunto de 15 países que adota a moeda única deve estagnar no terceiro trimestre e crescer 0,1% no último. Tecnicamente, o bloco evita a recessão, definida como dois trimestres seguidos de crescimento negativo.

Já a maior economia do bloco, a Alemanha, não terá a mesma sorte. Depois do crescimento negativo de 0,5% no segundo trimestre, a estimativa do Eurostat é de mais involução no terceiro trimestre: 0,2%. Cenário parecido, mas menos agressivo, deve viver o Reino Unido, com dois trimestres negativos - 0,2% e 0,2% - em seqüência. Dentre as principais economias, a Espanha é a única a acentuar as perdas. Depois de 0,1% negativo no segundo trimestre, deve voltar a cair 0,3% no terceiro.

Já a França, se confirmadas as previsões, escapará da recessão. Depois de decrescer 0,3% entre abril e junho, o país deve estagnar no terceiro trimestre e crescer 0,1% no último período do ano. Apesar das cifras melhores que as dos parceiros de bloco, o país também sente a crise imobiliária, como ocorre com o Reino Unido. No primeiro semestre, o número de transações de imóveis novos caiu 34% no país em relação aos seis primeiros meses do ano passado. Já os movimentos de compra e venda de imóveis antigos caíram 25% no período. Mesmo em Paris, onde o preço se mantém em ligeira elevação, a queda nas vendas foi de 20%.

Além de revisar o crescimento, a UE também alterou sua previsão de inflação. Em 2008, a taxa deve alcançar 3,6%, meio ponto acima do previsto. Expressando-se ao parlamento do bloco, em Bruxelas, Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), disse que a "inflação continuará provavelmente elevada ainda algum tempo, antes de desacelerar um pouco em meados de 2009". Trichet também se disse preocupado com o contágio da alta do preço da energia e com o impacto dos reajustes salariais. Para a autoridade monetária, o terceiro semestre será uma fase de "depressão", antes da melhora do cenário, em 2009.

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