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A crise financeira que varreu a Grécia e abalou os cofres da União Europeia (UE) não trouxe nenhuma lição à Turquia, rival histórica dos gregos. Quem garante é o presidente do Banco Central turco, Durmus Yilmaz, em encontro ontem com um grupo de jornalistas brasileiros na sede do banco, em Ancara.

A crise financeira que varreu a Grécia e abalou os cofres da União Europeia (UE) não trouxe nenhuma lição à Turquia, rival histórica dos gregos. Quem garante é o presidente do Banco Central turco, Durmus Yilmaz, em encontro ontem com um grupo de jornalistas brasileiros na sede do banco, em Ancara. "Na verdade, não temos nada a aprender e sim a ensinar: se a Grécia tivesse seguido nosso exemplo, adotando a disciplina fiscal e controlando rigidamente os gastos, não estaria nessa situação." A frase pode soar irônica, mas Yilmaz em nenhum momento fez graça. Nem tem perfil para isso: funcionário de carreira do BC turco há 30 anos e à frente da instituição desde 2006, Yilmaz é um tecnocrata que repete a fórmula adotada pela Turquia após a crise de 2001, quando a gastança sem controle do governo e uma inflação anual de 80% levaram à lona o sistema bancário, numa ciranda que custou ao país o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto (PIB). Para sair do buraco, o BC turco adotou um tratamento de choque. A taxa de juros real (descontada a inflação) passou de 20%. Foi baixando até chegar a 6,5% em 2009. A inflação foi controlada pelo sistema de metas, que também vigora até hoje (para 2010, a previsão é de 6,5%). Em muitos aspectos, a ação do BC turco lembra a do BC brasileiro. "Fizemos a lição de casa e nosso sistema bancário não foi atingido pela crise do ano passado. Por isso, precisamos ficar sempre atentos à inflação", diz Yilmaz. Apesar da obsessão dos turcos de aderir à UE - cujo processo esbarra mais em questões políticas que econômicas -, o país tratou de buscar novos mercados para evitar a dependência, ampliando laços com a Rússia, países do Oriente Médio e o Brasil. Para este ano, a previsão é de que o país vai crescer 4%.

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