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A transposição do Rio São Francisco está afetando fortemente a vida econômica e social das pequenas cidades que ficam próximas às obras. A especulação imobiliária é uma realidade enfrentada por todos aqueles que, por causa do trabalho, foram obrigados a se mudar para a região.

"Uma casa de quatro quartos aqui em Cabrobó está sendo alugada por R$ 1.500", informa a engenheira Márcia Gondim, da empresa Sondotécnica. "Antes das obras, ela era alugada por R$ 500." Cabrobó tem cerca de 29 mil habitantes e está a 535 quilômetros do Recife. "Aqui, os aluguéis foram muito inflacionados", confirma o secretário de Infra-Estrutura Urbana e Habitação, Paulo Teógens de Oliveira. Por causa desse fluxo contínuo de "estrangeiros", os três hotéis de Cabrobó vivem lotados.

Conforme mostrou o Estado no domingo, na região não há mais manifestações contrárias à transposição e as máquinas do Exército trabalham em ritmo acelerado, para abrir os dois canais que vão levar água do São Francisco para as bacias hidrográficas do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do agreste de Pernambuco. Depois de nove meses de trabalho, os dois batalhões de engenharia e construção que estão na área já concluíram cerca de um terço das obras a cargo do Exército.

Como Cabrobó, Salgueiro também vive um boom no mercado imobiliário. "Aqui, o aluguel de uma casa de três quartos está na faixa de R$ 700", conta a coordenadora do Programa Básico Ambiental (PBA), Elianeiva Odísio. Salgueiro fica a 64 quilômetros de Cabrobó e abriga o escritório do Ministério da Integração Nacional que coordena o projeto de transposição.

O que impulsiona a especulação é a chegada de engenheiros, técnicos e demais trabalhadores especializados para trabalhar no projeto. Muitos chegam com suas famílias para residir em Cabrobó, Salgueiro ou Floresta, onde ficarão por até três anos. Outros moram nessas cidades durante os dias úteis e passam o fim de semana no Recife, em Petrolina ou Juazeiro.

A especulação imobiliária será intensificada nos próximos meses com a chegada dos funcionários das empresas privadas que ganharam os lotes para a construção de canais, estações de bombeamento, aquedutos, túneis e outras obras da transposição.

Não é só o mercado imobiliário que sente os reflexos das obras de transposição. As pessoas que alugam as casas também contratam trabalhadores que passam a ter carteira assinada, uma realidade que não era comum na região antes da chegada dos "estrangeiros". Quem está chegando às cidades não contrata trabalhadores por menos de um salário mínimo, o que também ajuda a elevar os salários locais.

A oferta de emprego não pára de crescer em Cabrobó, segundo Teógens. "Antes das obras, a falta de emprego era o nosso grande problema", recorda. "O problema, agora, passou a ser encontrar mão-de-obra qualificada."

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