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RIO - A Transpetro respondeu duramente a informe publicitário publicado pela Usiminas hoje em grandes jornais do país. De acordo com a subsidiária de transportes da Petrobras, a siderúrgica defende uma reserva de mercado, na contramão da linguagem mundial da competitividade.

A queda-de-braço envolvendo as duas empresas começou quando a Transpetro realizou uma concorrência internacional para compra de 42 mil toneladas de aço para construção de petroleiros pelo Estaleiro Atlântico Sul, no âmbito da primeira fase do Programa de Modernização da Frota (Promef). A Usiminas foi, segundo a estatal, a 11ª colocada entre 11 empresas de seis países (Brasil, China, Coréia do Sul, Indonésia, Macedônia, Romênia e Ucrânia), com preço 60% superior à menor oferta entre as demais 10 concorrentes.

Hoje, a Usiminas publicou o informe publicitário que suscitou a resposta da Transpetro. No anúncio, a siderúrgica afirma que está preocupada com a vulnerabilidade do país a práticas desleais de comércio no processo de abertura de licitação internacional para a compra de aço.

De acordo com a siderúrgica, a empresa já apresentou, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o entendimento de que é necessário adotar salvaguardas contra práticas desleais de comércio, sugerindo a introdução temporária de preço mínimo para a importação de produtos siderúrgicos, até que o movimento de redução dos estoques mundiais se encerre.

Em sua resposta, a Transpetro acusa a Usiminas de utilizar um "raciocínio torto" e argumenta que a siderúrgica fez uma oferta superior aos preços praticados no mundo todo.

"Em seu 'informe publicitário', a Usiminas insinua a existência de 'práticas desleais de comércio' neste processo. Somente muita imaginação da direção Usiminas poderia chegar à conclusão de que, em momento de crise mundial como o atual, dez empresas de seis países poderiam montar um conluio para combinar preços", diz a nota da subsidiária da Petrobras.

A companhia argumenta ainda que, sempre que a Usiminas ofereceu preços competitivos, a Transpetro encomendou aço à companhia. "Tanto que das quatro encomendas já feitas no âmbito do Promef, duas foram realizadas com a Usiminas", completa o documento.

Outra manifestação contrária ao informe da Usiminas partiu do Sinaval, entidade que representa os maiores estaleiros do país. De acordo com a nota do sindicato, "o debate atual entre a Usiminas e a Transpetro reflete o jogo das relações comerciais normais entre consumidor e fornecedor sobre questões de preço".

"O Sinaval considera que a questão não tem aspectos políticos, ao contrário do informe publicitário divulgado pela Usiminas na imprensa. A importação é uma solução pontual para regulação de preços que no ano passado sofreram diversos aumentos", argumenta o Sinaval.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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