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Comitê de Política Monetária do BC confirma expectativa do mercado e sobe taxa Selic a 11,25%, o maior patamar desde março de 2009

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira a elevação da taxa básica de juros da economia em 0,50 ponto percentual. Com a decisão, a taxa Selic foi a 11,25% ao ano. A primeira reunião do comitê em 2011 marcou a estreia do presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, no comando do Copom. A alta de 0,50 ponto foi semelhante à adotada pelo antecessor Henrique Meirelles, na reunião de estreia, em 22 de janeiro de 2003, quando a Selic saltou de 25% para 25,50% ao ano.

Com a decisão desta quarta-feira, a taxa básica de juros alcançou o maior patamar desde março de 2009. No comunicado divulgado após a reunião, o BC disse que a decisão foi unânime e sem viés. De acordo com a autoridade monetária, a alta dá início "a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas". 


A alta de meio ponto já era aguardada pelo mercado, que projeta o início de um ciclo de aperto monetário, por conta da pressão da inflação. “Nossa expectativa é de que o Banco Central repita esse movimento por mais três vezes, elevando a taxa de juros a 12,75%”, diz José Góes, consultor econômico da WinTrade.

A previsibilidade da decisão do Copom neste primeiro encontro de 2011 é justificada pelo relatório trimestral de inflação, divulgado em dezembro, quando a autoridade monetária indicou a necessidade da retomada da alta dos juros, após três manutenções consecutivas da taxa em 10,75%.

“O destaque explícito do BC no último Relatório de Inflação à necessidade de implementação, no curto prazo, de um ajuste na taxa de juro – reforçado pelo discurso de Alexandre Tombini, – e a contínua deterioração das expectativas de inflação são fatores que sustentam essa aposta”, avaliou a LCA Consultores, em relatório.

Para o coordenador da área de Economia Aplicada do Ibre/FGV, Armando Castelar, a falta de comunicação prévia justificou a manutenção da taxa em dezembro. “Na época, o comunicado falava em esperar o efeito das medidas prudenciais que haviam sido adotadas.” Agora, diz ele, a elevação da Selic é justificada, já que “os preços têm mostrado alta e as medidas por si só não serão suficientes para segurar a inflação”.

Castelar também aposta em novas altas da Selic nos próximos encontros do Copom. “Devemos fechar o ano com os juros próximos dos 12,75%, com um aumento de 0,50 e outros de 0,75 ponto”. Ele diz, ainda, que, além da alta dos juros, o governo deve realizar um aperto fiscal para conter a alta dos preços.

Inflação

Na análise da Ativa Corretora, há um componente significativo de pressão de demanda na economia brasileira. “O IPCA de serviços fechou o ano com alta de 7,6%, a maior variação da
década, enquanto a média das três medidas de núcleos acompanhadas pelo BCB apresentou
inflação de 5,6%, mais de 1 ponto percentual acima do centro da meta”, diz a corretora, em relatório.

Além disso, diz a Ativa, o IPCA acumulou alta de 5,1% no período, quando excluído o subgrupo Alimentação no Domicílio. “Portanto, há ampla evidência de que há mais do que um simples
choque de alimentos por trás da aceleração inflacionária observada ao longo dos últimos meses.”

A corretora avalia que “em algumas passagens há a impressão de alguma complacência com o IPCA fechando 2011 acima do centro da meta”. Apesar disso, a Ativa aposta no início de um ciclo de aperto monetário, com quatro altas consecutivas de 0,50 ponto na Selic.

O movimento da taxa de juros

Taxa Selic chega a 11,25% ao ano

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Fonte: Banco Central
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