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Depois de meses de muita especulação, a TIM confirmou ontem, por meio de um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que está em negociações com a operadora de telefonia Intelig. A empresa italiana afirmou que estão em curso discussões preliminares por conta do interesse da TIM nos ativos e atividades da empresa, que hoje está nas mãos da Docas Investimentos, pertencente ao empresário Nelson Tanure.

De acordo com uma fonte que tem acompanhado as negociações, as conversas entre as empresas tiveram início em outubro do ano passado. Na ocasião, a TIM, controlada pela Telecom Italia, teria encomendado a uma consultoria o levantamento do valor de mercado da Intelig, chegando-se à quantia de R$ 800 milhões. Esse valor, porém, teria ficado bem abaixo do preço estipulado pela Docas. Segundo a fonte, o grupo teria pedido R$ 2 bilhões pelo ativo.

Por não ter ação em bolsa, os números da Intelig são pouco conhecidos pelo mercado. De acordo com levantamento feito por um analista, a empresa teve receita líquida aproximada de R$ 750 milhões em 2008. Ele acrescenta que, em seus cálculos, a empresa não valeria muito mais que isto. "O setor de telecomunicações tem sido o que menos perdeu com a crise. Não acredito que tenha ocorrido alteração do valor de mercado de outubro para cá", diz o analista.

Conhecida como empresa de chamadas de longa distância, a Intelig tem hoje como principal atrativo seu backbone - rede de fibra ótica que permite conexão nacional e internacional para a transmissão de dados. De acordo com especialistas, este é o único ativo deste porte à venda no País, tornando-se objeto de cobiça de outras operadoras.

A Intelig foi comprada pela Docas Investimentos em janeiro de 2008. Na ocasião, Tanure adquiriu 100% das ações do consórcio que controlava a empresa: National Grid, Sprint Nextel e France Telecom. O valor não foi revelado.

A Docas estaria ainda tentando negociar com a TIM a venda de uma fatia da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), que edita os jornais Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil. A inclusão de parte da CBM no pacote, porém, segundo fontes, não estaria agradando aos italianos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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