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A Telefónica ofereceu 5,7 bilhões pela fatia de 50% que a Portugal Telecom (PT) detém na joint venture Vivo. A proposta, que tinha validade de um mês, foi apresentada no último dia 6.

A Telefónica ofereceu 5,7 bilhões pela fatia de 50% que a Portugal Telecom (PT) detém na joint venture Vivo. A proposta, que tinha validade de um mês, foi apresentada no último dia 6. Em outro comunicado, os portugueses informaram que seu conselho de administração se reuniu ontem e "rejeitou a oferta por unanimidade". Foi a primeira oferta formal da Telefónica pela Vivo, maior operadora celular do País. "A Vivo é um ativo essencial para a estratégia da PT e a venda dessa participação iria contra as perspectivas de crescimento a longo prazo da PT", informou a operadora portuguesa, em fato relevante. No primeiro trimestre deste ano, o Brasil respondeu por 51% do faturamento da Portugal Telecom, que chegou a 1,773 bilhão. A proposta da Telefónica incluía uma oferta pelas ações ordinárias da Vivo que se encontram nas mãos de minoritários, por um preço correspondente a 80% do que foi oferecido à Portugal Telecom. A oferta pública somava cerca de 600 milhões, fazendo com que a proposta total chegasse a 6,3 bilhões. "Acho que a proposta é uma prova inconteste da importância que o Brasil tem para a Telefônica", afirmou Antonio Carlos Valente, presidente do grupo espanhol no Brasil. "A oferta foi bastante consistente, com um prêmio entre 140% e 150%, dependendo de como se calcula. Sobre a sua não aceitação, não tenho muito a dizer. É um ponto que eles têm de verificar, no futuro, se foi certa ou não." A Telefónica precisa de uma operação móvel para integrar aos serviços fixos que oferece em São Paulo. A Oi, concessionária de telefonia local nos demais Estados, tem uma operação integrada. No caso da Telefónica, essa integração se tornou mais urgente depois dos problemas enfrentados pelo Speedy, seu serviço de banda larga, no ano passado. A proibição da venda dos acessos rápidos teve impacto negativo no resultado e no crescimento da companhia no Brasil. Com os fortes efeitos da crise na Espanha, a matriz conta com a operação brasileira para ser o motor de crescimento do grupo. Opções. A Telefónica tem uma situação inusitada no mercado brasileiro de telefonia móvel. Ela participa do controle de duas companhias: a TIM (por meio de uma matriz, a Telecom Italia) e a Vivo (com quem divide o comando com a Portugal Telecom, metade a metade). Mas, na prática, a empresa não controla realmente nenhuma das duas: na Vivo, as decisões são compartilhadas com os portugueses e, no caso da TIM, a empresa é impedida de participar das decisões no conselho, por já estar na Vivo. Há muitos anos os espanhóis dizem que têm interesse em comprar a parte dos portugueses na Vivo. Acontece que a Portugal Telecom também se anuncia como compradora. A oferta divulgada ontem era um movimento esperado pelo mercado. No fim de 2009, a Telefónica tentou comprar a TIM e a própria Telecom Italia, mas acabou sendo barrada por motivos políticos em Roma. O governo italiano se opôs à maior operadora ser controlada por estrangeiros. Com isso, as atenções do grupo espanhol se voltaram novamente para a Vivo. Em abril, o jornal britânico Financial Times noticiou que a Telefónica queria integrá-la à antiga Telesp. O texto dizia ainda que a Telefónica planejava negociar com a Portugal Telecom "nas próximas semanas". <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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