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Governos avançam em entendimentos técnicos, mas detalhes final do acordo serão acertados dentro de duas semanas

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Os governos do Brasil e da Argentina avançaram nesta sexta-feira nos entendimentos técnicos com vistas à assinatura de um acordo para a retirada das barreiras às importações de carne suína brasileira e o estabelecimento de uma cota entre 3 mil e 3,5 mil toneladas por mês. Os detalhes finais do documento, porém, só serão acertados dentro de duas semanas, em novo encontro, em Brasília, segundo informou à Agência Estado, o diretor de Assuntos Comerciais da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, após reunião com o subsecretário de Coordenação Política do Ministério da Agricultura da Argentina, Gustavo Alvarez, em Buenos Aires.

"Há predisposição da Argentina em aceitar os volumes (de exportação) pedidos pelo Brasil. Porém, não fechamos formalmente, porque vamos terminar de alinhavar detalhes que envolvem outros produtos", disse o diretor. Trata-se de uma cesta de produtos de interesse de ambos os lados. A Argentina, por exemplo, quer a garantia de suas exportações de crustáceos (vulgarmente chamados de lagostim) e merluza. Enquanto o Brasil quer o acesso de todos os cortes de suínos e escalonar os envios de arroz argentino para o mercado brasileiro, de modo a não prejudicar os produtores nacionais. "Vamos incluir todos os produtos em um só contexto, um só acordo", afirmou o diretor.

Leia também: Ministros do Brasil e Argentina assinam acordo para cota de importação

Benedito Rosa do Espírito Santo não falou de dificuldades para estabelecer detalhes sobre as condições que envolvem o comércio bilateral de suínos. No entanto, deu a entender que a Argentina tenta restringir cortes e empresas. "O ministro Mendes Ribeiro Filho, em sua visita recente a Buenos Aires, iniciou o processo de negociação em nível político. Agora, temos que acertar os volumes e as condições porque não queremos que haja restrição a cortes, nem a empresas", sugeriu.

O vice-ministro de Agricultura da Argentina, Lorenzo Basso, disse hoje à Agência Estado que o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, o "xerife" dos preços e das importações argentinas, não vai impedir o acordo com o Brasil. "Vamos abrir as cotas para o Brasil de 3 mil toneladas porque é uma necessidade do mercado argentino. Não vai haver nenhum problema em dar esse volume", disse ele.

O ministro da Agricultura do Brasil, Mendes Ribeiro Filho, informou hoje que uma reunião será realizada na próxima segunda-feira em Buenos Aires entre técnicos brasileiros e russos. Ele explicou que a reunião será realizada em Buenos Aires porque o chefe do serviço sanitário russo, Sergey Dankvert, tem visitas programadas para Argentina e Chile. Na ocasião, o encontro poderá resultar na retirada do embargo russo à carne suína brasileira "de alguns Estados ou alguns frigoríficos".

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