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RIO - O projeto da termelétrica de Seival, planejado pela Tractebel para ser construído no Rio Grande do Sul, poderá sofrer fortes alterações e não está descartada a possibilidade de que a energia a ser produzida pela unidade seja vendida para o mercado brasileiro. Desenvolvido em 2007, o projeto previa a construção de uma unidade a carvão com potência de 350 megawatts, com a energia exportada para o Uruguai. Os custos estimados são de US$ 850 milhões.

Hoje, Gil Maranhão, diretor de desenvolvimento de novos projetos da GDF Suez Energy Brasil, controladora da Tractebel, lembrou que, na época de gestação do projeto, seria inviável economicamente colocar a energia produzida pela usina no mercado brasileiro. Atualmente, apesar de não apostar nessa possibilidade, o executivo não a descarta.

"Na época em que foi concebido, há cerca de um ano, a energia seria para o mercado uruguaio porque era muito caro para os preços que estavam sendo praticados nos leilões de A-3 e A-5 no Brasil. Como os mercados são dinâmicos, isso pode se reverter, é uma questão de preços", frisou Maranhão, que participou de seminário promovido pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ.

"Os projetos termelétricos a carvão nacional poderão voltar à luz do dia porque o custo do carvão importado aumentou demais", acrescentou.

O diretor destacou que no final de 2007 o projeto da usina estava pronto, inclusive com financiamentos e fornecedores de equipamento previstos. Como as máquinas seriam importadas, não seria possível buscar recursos com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o financiamento foi desenhado junto a instituições internacionais.

Na época, o andamento foi prejudicado pela necessidade de um acordo entre Brasil e Uruguai para regulamentação das operações da usina e das regras de exportação de energia, o que ainda não aconteceu. Com a chegada da crise financeira internacional, alguns bancos não mantiveram as propostas de financiamento e, segundo Maranhão, o projeto teria que ser refeito "quase que na sua totalidade".

"Estamos esperando a onda passar", disse o executivo, que não descartou nem mesmo o possível cancelamento da usina, que teria como insumo o carvão produzido na mina de Seival, também no Rio Grande do Sul.

Maranhão explicou ainda que as obras da usina de Jirau, no rio Madeira, estão dentro do cronograma, com cerca de 1.600 trabalhadores no canteiro. Segundo ele, está mantida a data de entrada em operação em março de 2012.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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