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As ruas de São Paulo ganham hoje os primeiros táxis adaptados para deficientes físicos. Serão inicialmente 16 vans equipadas com dispositivos para prender os usuários e erguer as cadeiras de rodas.

Dois acompanhantes poderão ser levados e a tarifa será a mesma dos demais táxis - R$ 3,50 a bandeirada inicial e mais R$ 2,10 por quilômetro rodado. Será também criada uma central para receber os pedidos dos usuários e enviar uma unidade ao local.

A iniciativa tem o objetivo de melhorar as condições de locomoção de pessoas como o jogador de basquete sobre rodas Willian Prudêncio, de 31 anos. Há oito anos, ele caminhava durante um feriado com a filha pelo bairro Tucuruvi, na zona norte, quando uma adolescente de 15 anos e embriagada os atingiu na calçada. Sua filha só teve arranhões na cabeça, mas ele ficou paraplégico. "Lembro que era um Dia da Criança e eu levei minha filha para passear. Depois tem um intervalo na minha memória."

Aposentado por invalidez, ele aproveita o tempo livre para se dedicar ao basquete sobre rodas. Ex- volante do futebol de várzea, hoje ele é campeão paulista na nova modalidade. As adversidades, no entanto, começam fora das quadras, no trajeto para os treinos na Associação Desportiva para Deficientes (ADD). Willian pega ônibus e metrô.

Como poucos ônibus são adaptados, ele precisa esperar muito tempo nos pontos. A mesma dificuldade ele tem com os táxis. "Uma vez fui ao supermercado e guardei as compras no porta-malas. Quando fui colocar a cadeira no banco de trás, o motorista disse que eu não podia, retirou tudo e me deixou lá", diz ele, que pretende usar o novo serviço para passear com os filhos, embora ache que, assim como os táxis normais, eles não são acessíveis - dessa vez, financeiramente.

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