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Microcrédito e outras iniciativas de "empreendedorismo social" são mostradas em documentário que estreia na sexta-feira

Premal Shah, do Kiva: 99% dos usuários pagam de volta – e com juros – o empréstimo
Getty Images
Premal Shah, do Kiva: 99% dos usuários pagam de volta – e com juros – o empréstimo
“Não conseguimos captar US$ 1 milhão durante nosso primeiro ano [ 2005 ], agora captamos US$ 1 milhão por dia.” A frase é de Premal Shah, fundador do Kiva, um site no qual pessoas emprestam dinheiro para quem não tem acesso a serviços bancários. Funciona como um empréstimo de banco, inclusive com taxa de juros, mas é feito entre pessoas e com valores baixos. A história faz parte de “Quem se importa”, documentário sobre empreendedorismo social que estreia na sexta-feira (13).

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O Kiva já viabilizou mais de US$ 300 milhões para cerca de 760 mil pessoas ao redor do mundo. O valor médio dos empréstimos é de US$ 390, algo em torno de R$ 700. Quase sempre, o crédito é concedido a pequenos empreendedores, que precisam do dinheiro para produzir bens e serviços em lugares pobres do planeta – também chamado crédito produtivo de baixa renda. Na maioria, são mulheres (80%), que pagam de volta quem emprestou (99% dos casos). Os credores estão em 219 países.

O site não é o único exemplo de microcrédito do filme, dirigido por Mara Mourão (de “Doutores da Alegria” e “Avassaladoras”). O documentário mostra também a história do ganhador do prêmio Nobel Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, o primeiro e maior banco de microcrédito do mundo . “A ideia surgiu quando fui a uma área carente de Bangladesh e anotei pedidos de pessoas, que me diziam o que precisavam para produzir. No total, elas precisavam de US$ 27. Era tão pouco que percebi que seria possível fazer isso em larga escala”, diz.

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Outro entrevistado é Joaquim Melo, um ex-seminarista brasileiro que criou o Banco Palmas . Através do microcrédito, ele desenvolveu uma comunidade pobre de Fortaleza, chamada Palmeiras – hoje, o banco está em todo o Brasil. “Percebi que o dinheiro que as pessoas da comunidade ganhavam não ficava ali, era gasto em produtos e serviços feitos fora, porque não havia produção local”, explica. Melo criou um sistema de microempréstimos e uma moeda social, a “palmas” – e conseguiu desenvolver a região.

Mas o filme não é somente sobre microcrédito – e, sim, sobre um tema que engloba o microcrédito: o empreendedorismo social. O conceito, na definição Isaac Durojayte, outro personagem do documentário, poderia ser ilustrado pela mistura do bilionário Richard Branson (que nasceu para criar negócios lucrativos) com Madre Tereza (que ajudava as pessoas).

“Quem se importa” é uma compilação de negócios “do bem” que deram certo. Tem a história de um africano que criou uma rede de banheiros químicos pagos (ele fica com 40% e deixa 60% com quem toma conta do banheiro), uma americana que implanta uma espécie de defensoria pública em diferentes países onde julgamentos e prisões são problemáticos, um peruano que quer fazer 1% das terras do país ser cultivada por menores de 18 anos.

Em São Paulo, o filme entra em cartaz no dia 13. No Rio de Janeiro, estreia no dia 20.

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