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Cerca de 244 manifestações foram convocadas para esta terça-feira contra reformas de Nicolas Sarkozy

Os sindicatos franceses organizam nesta terça-feira uma nova jornada de manifestações e greves contra a reforma da aposentadoria do presidente conservador Nicolas Sarkozy, que poderá ser radicalizada com a participação dos estudantes.

"Em função de nossa capacidade de manter os índices de mobilização, isto pode durar mais tempo ainda", advertiu Bernard Thibault, secretário-geral da CGT, maior sindicato da França.

"É incompreensível que o governo não se mova frente às reinvidicações dos sindicatos", disse François Chereque, secretário-geral da CFDT, segundo maior sindicato francês.

Cerca de 244 manifestações foram convocadas para esta terça-feira em todo o país.

A manifestação realizada em Paris, tendo à frente os principais líderes sindicais e que terá a participação das lideranças da oposição de esquerda, começou às 13h30 locais (08h30 de Brasília) a partir de Montparnasse, sul da capital.

No início da mobilização os registros do Ministério do Interior indicam "cerca de 500.000" manifestantes, mais do que nas últimas manifestações. Os CGT e a CFDT também já consideram esta a maior já realizada.

"O governo buscará o desgaste, dia após dia", afirmou o líder da CGT ao jornal Le Parisien. "O que importa é que a ação seja prolongada. Isso garantirá nosso êxito", acrescentou.

As greves desta terça-feira -apoiadas por 69% dos franceses, segundo uma pesquisa do instituto CSA-, poderão ser prolongadas pelas assembleias-gerais previstas para quarta-feira, gerando um "cenário que angústia no Eliseu", sede da Presidência francesa, segundo o diário Liberation.

Na rede de transportes ferroviários, apenas um trem de alta velocidade circulava em cada três entre Paris e o interior do país, enquanto o tráfego era quase normal para outros países europeus.

Mas no aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, 30% dos voos foram cancelados e em Orly são 50% cancelamentos, segundo a Direção Geral de Aviação Civil (DGAC).

O metrô parisiense funcionava sem grandes problemas, ao contrário dos trens nas proximidades da capital e do transporte urbano na província.

Em outro setor estratégico, pelo menos dez refinarias das 12 da França estão em greve.

Outra mobilização que promete ter muito impacto é a dos estudantes do ensino secundário e universitários.

O Ministério da Educação anunciou no início do dia que cerca de 300 escolas de todo o país estavam fechadas.

O principal sindicato de estudantes universitários, a Unef, pediu um dia de "faculdades desertas".

A administração pública e a educação, assim como os setores portuário, químico, energético e metalúrgico foram convocados para a greve contra uma reforma que acabará com um regime de aposentadorias considerado um "símbolo" da Presidência do socialista François Mitterrand, no início dos anos 80.

Apesar da rejeição nas ruas, os dois artigos mais polêmicos da reforma foram aprovados pelos senadores entre sexta-feira e segunda: o aumento de 60 para 62 anos da idade mínima para a aposentadoria legal e o aumento de 65 para 67 anos para uma aposentadoria completa.

A câmara alta pretende concluir o exame do projeto nesta semana, antes das manifestações convocadas pelos sindicatos para o próximo sábado.

O governo espera que o Parlamento aprove definitivamente a reforma antes do final de outubro.


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