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Vice-presidente executivo do Itaú diz que medidas macroprudenciais têm conseguido segurar o crédito, mas não o consumo

A inflação vem sendo uma aliada inesperada do governo na tentativa de conter o consumo no país. A avaliação é do vice-presidente executivo e diretor de Relações com Investidores do Itaú Unibanco, Alfredo Setubal, para quem as medidas macroprudenciais de contenção ao crédito têm conseguido segurar de fato o avanço do crédito, mas não são tão eficientes para restringir o consumo.

Setubal citou como exemplo o crédito ao setor automotivo, cujo crescimento desacelerou no começo do ano. Na carteira do Itaú Unibanco, o crédito para aquisição de veículos atingiu, no primeiro trimestre, R$ 58,858 bilhões, um aumento de 10,6% frente ao primeiro trimestre do ano passado, mas uma queda de 0,4% na comparação com o quarto trimestre de 2010. Apesar dessa trava, as vendas de veículos continuam batendo recorde.

"O crédito diminuiu, mas os veículos continuam sendo vendidos", frisou Setubal, que participou de reunião com investidores promovida pela Apimec-Rio, no Rio de Janeiro, e durante a apresentação já tinha citado a inflação como principal fator para reduzir o ritmo do consumo. "A inflação está comendo a renda das pessoas e é isso que tem feito o consumo cair e a inadimplência subir. [A inflação] É um aliado para controlar o consumo hoje, mas é o pior aliado que ele [governo] pode ter", acrescentou.

O executivo não acredita em grandes altas de juros no curto prazo, nem em novas medidas macroprudenciais em grande quantidade. Ele ressaltou que as estimativas apontam para um crescimento econômico entre 3,5% e 4% este ano, que é o patamar que o governo deseja. Além disso, as projeções mostram um crescimento de 15% do crédito ao consumo este ano, também dentro da meta do governo.

"Não estamos esperando grandes altas de juros, nem muitas medidas prudenciais, na medida em que as coisas estão convergindo para o que o governo tem como objetivo", ponderou Setubal. O executivo lembrou ainda que o governo estuda com o setor privado uma saída para garantir a continuidade da oferta de crédito para o setor imobiliário, uma vez que a expectativa é de que os recursos da caderneta de poupança destinados para o setor podem estar perto do teto.

Setubal destacou que a Caixa Econômica Federal, que responde por 70% do mercado, poderá ter problemas na captação de recursos já no ano que vem, enquanto os demais bancos poderão encontrar dificuldades em 2013. Apesar do alerta, ele minimizou os riscos e destacou que o Banco Central e a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e de Poupança (Abecip) já realizam discussões para encontrar uma solução.

"Já há grupos de trabalho pensando em alternativas de funding de longo prazo para fazer frente à demanda por crédito imobiliário. Acho que vai ter uma solução, isso não vai paralisar o mercado imobiliário", disse Setubal. "Acredito que não vai ter [apenas] uma solução, vão ter vários instrumentos provavelmente", acrescentou.

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