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Duas das redes de varejo mais populares da Grã-Bretanha, Woolworths e MFI, lutavam nesta quinta-feira para sobreviver, mostrando a angústia desse setor da economia britânica que nem mesmo o corte no TVA (imposto sobre valor agregado) anunciado pelo governo é suficiente para tranqüilizar.

A Woolworths é uma verdadeira instituição na Grã-Bretanha que vende de tudo, de brinquedos a acessórios de cozinha, há pelo menos 100 anos. O que não impediu que esse símbolo nacional fosse colocado, na quarta-feira, sob gestão judicial, o que põe em risco o futuro de suas 800 lojas e 30.000 funcionários.

No mesmo dia, as lojas de móveis MFI, que empregam cerca de 1.500 pessoas, também foram postas sob administração da Justiça, e a imprensa britânica estava bastante pessimistas quanto às suas chances de sobrevivência.

Esses últimos dissabores ilustram um círculo vicioso que vê a crise que se abate sobre Londres se espalhar, pouco a pouco, por todos os outros setores da economia britânica, apesar dos esforços do governo e do Banco da Inglaterra para retomar o controle da situação.

Como resumiu Keith Bowman, analista da corretora Hargreaves Lansdown, "o ciclone se deslocou dos bancos para o varejo".

A MFI foi, assim, duplamente atingida pela crise imobiliária e pela do crédito - a primeira, por causar uma queda nas construções e na venda de casas, e a segunda, por reduzir mecanicamente a demanda por móveis.

A crise do crédito também deu o golpe de misericórdia, ao frear, de forma brutal, as compras mais caras, como sofás de couro e os banheiros da última moda, que eram, normalmente, financiados a prazo.

Em relação à empresa Woolworths, parece que o maior problema é a rarefação das fontes de financiamento. Há vários anos, o grupo acumula perdas - quase 120 milhões de euros somente no primeiro semestre.

Afogado em dívidas (mais de 400 milhões de euros, segundo a imprensa local), o grupo tentou conseguir um comprador, até ontem, mas as companhias interessadas não teriam chegado a financiar uma retomada dos negócios, mesmo que por um valor simbólico.

A derrocada da Woolworths e da MFI parece ser apenas a ponta do iceberg. Basta consultar os últimos resultados do setor.

Nesta quinta-feira, a DSG International, dona das lojas de produtos eletrônicos Currys e PC World, anunciou perdas de 29,8 milhões de libras (primeiro semestre concluído em outubro), contra um lucro de 52,4 milhões de libras no mesmo período do ano passado. A Kingfisher, dona das cadeias francesas Castorama e Brico Dépôt, reconheceu uma queda de 20% dos lucros na Grã-Bretanha nos últimos três meses.

Enquanto isso, as grandes redes e supermercados multiplicam, desesperadamente, as liquidações antes das festas de Natal, na esperança de atrair consumidores.

Marks & Spencer já organizou um dia com 20% de desconto e se preparava para recomeçar as ofertas na próxima semana. Até o Waitrose, supermercado freqüentado por uma clientela outrora pouco preocupada com os preços, propõe desde ontem champanhe e salmão defumado com 50% de desconto.

Mesmo a redução de 2,5% do TVA, agora em 15%, anunciada na segunda-feira pelo ministro das Finanças, Alistair Darling, com o objetivo de aquecer o consumo, não bastou para acalmar o setor.

A medida, que entra em vigor na próxima segunda e valerá até o final de 2009, é "modesta, mas bem-vinda", comentou Stephen Robertson, presidente da BRC, a Federação do Comércio local, reivindicando que o governo também tome outras iniciativas.

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