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SÃO PAULO - Como era de se esperar, entidades representativas da indústria, comércio e trabalhadores criticaram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar o juro básico Selic em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, considerou o ajuste muito alto e defendeu um aumento menor, de 0,5 ponto. Em um ambiente de incerteza inflacionária, a política monetária gradual é mais eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços, argumentou. A idéia de acelerar o movimento de redução do consumo das famílias, via aumento mais intenso dos juros, não irá gerar os benefícios desejados, uma vez que muito da inflação é originada globalmente, dado o aumento dos preços internacionais dos alimentos. Ele colocou a diminuição dos gastos públicos como prioridade para o combate à inflação.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que já vinha admitindo um aumento de juros para combater a inflação, não chegou a repudiar a decisão, mas cobrou outros remédios para o que chamou de vírus da inflação, tais como o controle dos gastos públicos e a eliminação de impostos sobre os itens da cesta básica. Os objetivos do governo devem ser partilhados por todos, e seria útil uma ação conjunta entre as políticas monetária e fiscal. Quando isso não existe, o custo para a sociedade acaba sendo muito maior, com menos empregos e renda, mais gastos com juros e queda na produção. Por fim, de que adianta subir juros, se o governo não controla os gastos públicos?, diz, em nota, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Também a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) clama pela redução das despesas do governo. Seu presidente, Alencar Burti, ressaltou que o aumento dos juros vai contribuir para a desvalorização do dólar, que já afeta as contas externas do país. É preciso que o Banco Central se mantenha atento para os efeitos negativos da elevação dos juros sobre a economia, especialmente no tocante aos investimentos, que parecem estar sendo atingidos mais rapidamente do que o consumo, acrescentou ele, em comunicado.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, sintetizou seu descontentamento ao afirmar que as altas taxas básicas de juros são contrárias aos interesses da classe trabalhadora. Para ele, a inflação dos alimentos se deve a fatores externos, nos quais o aumento da Selic não influi. Saídas para conter a pressão inflacionária estariam no apoio à agricultura familiar, através de ampliação da oferta e dos prazos do crédito, garantia de preços mínimos e de assistência técnica, entre outras medidas e em ações contra diferentes setores que especulam, seja através de contenção de estoques ou de elevação de preços chamada de 'preventiva', que nada mais é que apostar em inflação futura.

A reação da Força Sindical foi mais severa, classificando a alta da Selic de cavalar e afirmando que a decisão do Copom vai dificultar a campanha salarial de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores que já estão negociando reposição das perdas e aumento real de salário com os patrões. Nota do secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves (o Juruna) também pede que o governo trate de incentivar o aumento da produção de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta básica.

(Valor Online)

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