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SÃO PAULO - O setor de tecnologia da região da Ásia e Pacífico deve sofrer menos com a crise econômica mundial, mas está longe de estar imune à turbulência. Segundo estudo da consultoria Gartner, na pior das hipóteses, a região terá crescimento de 8,3% em seu setor de tecnologia no ano que vem, chegando a vendas totais de US$ 587,7 bilhões.

A previsão anterior do Gartner indicava uma expansão de 11% nesse segmento em 2009.

Segundo a consultoria, no pior cenário possível, os gastos mundiais com tecnologia devem crescer apenas 2,3% no ano que vem. Antes, a instituição projetava uma expansão de 5,8%. Caso o pior venha a ocorrer, o segmento desse setor que será mais afetado é o de hardwares, seguido de perto pelo de serviços. Os gastos com softwares, porém, deverão continuar fortes, com aumento de 8,6%.

Segundo o Gartner, os executivos-chefes de Tecnologia (CIOs, na sigla em inglês) das empresas da Ásia e Pacífico devem começar a analisar mais de perto os investimentos necessários e obter aprovações em níveis mais altos para suas decisões de gasto de capital.

"De um lado (os CIOs) têm recebido pedidos para expandir o negócio (da empresa) para se beneficiar das oportunidades de mercado e, do outro, são instados a reduzir custos", afirma o vice-presidente do Gartner, Matthew Boon. "Isso vai dificultar previsões a respeito do comprador de tecnologia. Eles vão buscar preços mais baixos e terão menos fidelidade a marcas. Os fabricantes terão que se mostrar sustentando as estratégias de corte de custo de seus clientes ao mesmo tempo que se concentram na criação de valor", afirma.

O executivo diz que, na Austrália, alguns CIOs mantém uma postura temerosa, ignorando a crise e se recusando a acreditar que ela terá impacto sobre suas atividades. Segundo ele, essa estratégia é uma armadilha que os levará a perder precioso tempo de planejamento para enfrentar os efeitos da desaceleração econômica. "CIOs da região deveriam tirar toda a vantagem possível do tempo que têm para discreta e internamente desenvolver planos para enfrentar o pior em 2009", disse.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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