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Setor terá alíquota zero de INSS em troca de uma contribuição de 2,5% do faturamento

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As empresas de tecnologia da informação comemoraram hoje a inclusão do setor entre os que terão alíquota zero de INSS em troca de uma contribuição de 2,5% do faturamento. O segmento de software é muito intensivo em mão de obra e, embora viva um bom momento, tem sofrido com o câmbio para exportar.

"Ainda não sabemos como serão as regras, mas na pior das hipóteses calculamos que a desoneração com taxação do faturamento vai nos proporcionar pelo menos uma queda de 25% nos custos", afirmou Rodrigo Abilheira, diretor financeiro da Gonow Tecnologia que desenvolve softwares para grandes empresas desde 2006 e emprega 100 pessoas em São Paulo. O executivo conta que mantém uma unidade no Chile, onde os encargos de 15 funcionários não chegam a 25%. No Brasil, calcula, são 70%.

Cleber Morais, presidente da Bematech, diz que a desoneração da folha é um bom primeiro passo para incentivar um dos setores que, embora se mantenha ainda competitivo, já sofre com as desvantagens do câmbio e do custo do trabalho. Ele ainda faz as contas sobre o impacto da medida na empresa, que tem quase 80% do faturamento em equipamentos (hardware), mas diz que aumentam os incentivos para investir mais no desenvolvimento de softwares.

"O investimento para produzir software é basicamente em pessoas. A redução desse custo incentiva a investir mais e ajuda a ganhar mercado, inclusive transferindo para o usuário final", diz Morais, que ainda espera mais. "Vejo com bons olhos esse primeiro passo, mas é preciso dar outros, como a lei de patentes e a educação, que é o que vai fazer o Brasil dar o grande salto."

Laércio Cosentino, presidente da gigante de software Totvs, diz que a desoneração vai beneficiar o País ao incentivar um setor que gera empregos de alto valor. A empresa, líder do setor na América Latina, tem mais de 5 mil funcionários. Para Cosentino, a medida ajudará a formalização do emprego no setor, que tem muitos talentos trabalhando como pessoa jurídica para poder ganhar mais.

"Foi um passo importante que veio num bom momento. O Brasil tem a maior carga trabalhista do mundo. A taxação do faturamento distribui mais esse peso, pois vale para quem importa e para quem produz aqui. Pode ser que o governo arrecade mais com mais gente pagando imposto", avaliou Cosentino.

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