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Como tem restrições à escolha de Arthur Badin para comandar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), não pretende presidir hoje a sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), destinada a sabatinar e votar a indicação do atual procurador-geral do órgão para a presidência. Enquanto o petista informava a colegas que terá compromissos justamente no horário da reunião, o relator, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), concluía seu parecer, com base em uma longa conversa que teve na última sexta-feira (dia 25) com o próprio Badin, em Belo Horizonte.

Na avaliação dos governistas, o nome de Badin tem chance de ser aprovado, mas concordam que poderá haver dificuldades.

Se Eduardo Azeredo já tinha boas referências para apresentar hoje um relatório favorável, os esclarecimentos de Badin ajudaram a reforçar sua posição. "Ele me deu boa impressão", disse o senador. Seguindo a linha política adotada pelo PSDB em relação à politização das agências reguladoras, Azeredo vai ressaltar a necessidade de o Cade também ser dirigido por pessoas isentas, competentes e com responsabilidade. "Por isso temos que valorizar as sabatinas com os indicados", prosseguiu o senador mineiro. Azeredo ponderou a Badin que o papel do Cade não é só defender a concorrência, mas também não impedir eventuais fusões que sejam necessárias e importantes para o País.

Polêmica, a indicação de Badin pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva dividiu o governo e a base aliada no Senado. A principal pressão contra a aprovação do nome do procurador vem de grupos econômicos que têm interesses no Cade e temem eventuais prejuízos. Como são financiadores de campanhas eleitorais, os senadores enfrentam uma situação delicada. Nos bastidores, comenta-se que Mercadante estaria defendendo os interesses da Cutrale; o líder do DEM, senador José Agripino (RN), da Vale; e Gerson Camata (PMDB-ES), da Nestlé. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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