Tamanho do texto

A crise chegou à moda. Marc Jacobs reduziu a quantidade de convidados, Betsey Johnson e vários outros renunciaram a desfiles caros e luxuosos. A Semana de Moda Outono-Inverno 2009-2010 começa na próxima sexta-feira, em Nova York, em um clima de austeridade e mudanças.

O principal jornal do setor, o Women's Wear Daily, há várias semanas fala das consequências da crise no mercado da moda, anunciando o fechamento de lojas e cadeias de distruição, tanto de criadores emergentes quanto de nomes consagrados.

Vez ou outra, uma boa notícia surge em um cenário de desolação. Após a quebra da famosa joalheria Fortunoff, o corte de 2.000 vagas na Estée Lauder e de 7.000 na Macy's, o presidente do grupo francês LVMH, Bernard Arnault, anunciou uma estagnação dos lucros, mas também um aumento no faturamento no quarto trimestre de 2008 e a abertura de 25 lojas. A crise afetou algumas marcas, mas o setor de luxo resiste bravamente.

O italiano Giorgio Armani, um dos reis do vestir nova-iorquino, abrirá em 18 de fevereiro uma nova loja de quatro andares e 4.000 metros quadrados na famosa Quinta Avenida, para vender tanto as coleções de maior sucesso como a linha Armani Jeans, mais casual. "Este projeto especial requer uma boa dose de coragem", disse o estilista em um comunicado à imprensa, acrescentando que a "provocação" e a "liberdade de expressão" são suas armas para interpretar "as mudanças" e "a atual tendência de mistura de estilos". Em um mundo onde o consumo desenfreado parece estar em vias de extinção, as marcas apostam em qualidade e na demanda de excelência para driblar a crise.

O número de estilistas inscritos na Semana de Moda de Nova York teve uma pequena queda em relação aos 80 estilistas que apresentaram suas criações em setembro de 2008. Cerca de 70 marcas vão desfilar, incluindo as estrelas habituais, como Ralph Lauren, Diane von Furstenberg e Calvin Klein -comandada pelo brasileiro Francisco Costa- e nomes novos em Nova York, como o libanês Georges Chakra, que apresentou uma coleção de verão glamurosa na Semana de Moda de Paris e já vestiu as atrizes Helen Mirren e Marcia Cross.

Alguns criadores juntaram orçamentos e apresentarão desfiles coletivos, como Mara Hoffman, Sergio Davila e Nicholas K. Outros reduziram os looks, e apresentarão coleções de 25 a 30 peças no lugar das 30 a 40 peças habituais.

Marc Jacobs, cujos desfiles estão sempre lotados de celebridades, reduziu sua lista de convidados de 2.000 para 700 nomes, provocando uma corrida por convites mais frenética que de costume.

As dificuldades financeiras se refletem até no design dos convites, objeto de desejo de fashionistas. Muitos deles são em papel preto, causando uma impressão de seriedade e até mesmo uma idéia de luto.

Mas a moda não está morta. Pelo contrário. Antecipando dias melhores, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciou que a Semana de Moda vai se mudar a partir do outono de 2010 para o parque Damrosch, anexo ao complexo do Lincoln Center, após o fechamento de um contrato com duração de cinco anos. O espaço, com cerca de 9.000 metros quadrados, contra os 7.000 da atual sede do Bryant Park no centro de Manhattan, oferece a possibilidade de organizar eventos nas salas do famoso Lincoln Center.

"Nossa sociedade adotou o lema de mudança e está na hora de mudarmos", disse a vice-presidente da Semana de Moda de Nova York, Fern Mallis. "A indústria da moda é vital para a economia de Nova York, emprega cerca de 175.000 pessoas e representa anualmente bilhões de dólares em receita. Nestes tempos difíceis, promover a Semana de Moda e assegurar sucesso a longo prazo é mais importante que nunca", disse o prefeito Michael Bloomberg. Em meio à crise, a moda mostra mais do que nunca o seu valor.

mes/ltl/cr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.