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O dólar comercial recuou 0,75% hoje e voltou para o nível de R$ 1,709, em reação às declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que as principais medidas para conter a excessiva valorização do real e a volatilidade da taxa de câmbio já foram tomadas. Mantega também afirmou que outras eventuais medidas devem se limitar à liberalização das regras do mercado cambial e podem demorar.

Assim, os agentes financeiros aumentaram a oferta da moeda americana, cuja cotação vinha se sustentando acima de R$ 1,70 desde 19 de outubro, quando o governo anunciou a alíquota de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no ingresso de capital estrangeiro para renda fixa e variável e sinalizou novas medidas. Em 18 de novembro, o governo também taxou com IOF de 1,5% as emissões de recibos de ações (DRs, Depositary Receipts) no exterior. Desde então, havia expectativa de mais medidas cambiais. No passado recente, o valor mais alto do dólar foi em 30 de outubro, a R$ 1,756, e em 30 de novembro, a R$ 1,754.

Segundo o operador Felipe Brandão, da Arkhe DTVM, o mercado vinha sendo orientado muito pela expectativa de anúncio de medidas pelo governo brasileiro e, como Mantega disse que elas não virão logo, os agentes voltaram a se guiar pelo fluxo cambial e o movimento externo da moeda norte-americana. "O dólar já bateu antes o nível gráfico de R$ 1,70 e subiu e no passado também já rompeu esse patamar antes da crise, quando chegou perto de R$ 1,50 em agosto de 2008. Se o mercado seguir com fluxo positivo para Brasil, como é esperado, não tem nada que segure a valorização do real", comentou.

O Banco Central realizou leilão de compra de dólares no início da tarde, no qual fixou a taxa de corte das propostas em R$ 1,7085.

No exterior, a divisa norte-americana ganhou sustentação ante o euro após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, declarar apoio a um dólar forte e anunciar pequenos passos para a retirada de medidas extraordinárias de liquidez na zona do euro. Trichet disse que um dólar forte é muito importante para a zona do euro. As autoridades da zona do euro têm se mostrado preocupadas com os ganhos da moeda europeia. Os parceiros comerciais dos EUA não querem ver o dólar se desvalorizar muito ou muito rapidamente. Ao mesmo tempo, as projeção do staff do BCE sobre inflação e crescimento para 2010 e 2011 não implicam a necessidade de elevar rapidamente as taxas de juro na zona do euro.

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