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"Somos partidários do câmbio flutuante, mas não podemos fazer papel de bobos", afirmou ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que, se o governo não tivesse tomado medidas cambiais nos últimos anos, o dólar estaria cotado a R$ 1,40 ou menos e a indústria brasileira já estaria quebrada. "Somos partidários do câmbio flutuante, mas não podemos fazer papel de bobos e nos deixar levar pela manipulação feita nos países avançados", disse o ministro durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado .

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O ministro afirmou ainda que o câmbio atual, em torno de R$ 1,80, é uma situação um pouco mais favorável às exportações e à sobrevivência da indústria. "Não é suficiente. Outras medidas têm de ser tomadas", afirmou, Ele disse ainda que os países avançados já injetaram mais de US$ 9 bilhões em um período relativamente curto na economia e que o governo tem buscado convencer os colegas do G-20 a não praticar ou adotar medidas que absorvam esse excesso de liquidez. Enquanto isso, o Brasil tomará medidas.

Mantega citou o programa Brasil Maior, medidas de redução de custo financeiro e afirmou que "estamos a todo momento tomando medidas que dão respaldo à produção brasileira".

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Ele citou a mudança ontem da cobrança de 6% de IOF sobre empréstimos abaixo de cinco anos. "Quem quiser, tome empréstimos acima de cinco anos, mais saudáveis e para investimentos." Segundo o ministro, há "algum efeito colateral" das medidas e que o ideal "seria ter câmbio flutuante puro". Por isso, afirmou que o governo atuará por meio de um decreto para evitar um impacto maior do IOF sobre os exportadores. O documento poderá ser similar ao que foi usado no passado no caso da cobrança de impostos para derivativos de hedge. O decreto passou a isentar as movimentações feitas pelos exportadores.

O tema permeou o discurso do ministro em vários momentos no Senado. Ele disse reiteradas vezes que irá adotar várias medidas para conter a valorização do real.

Tsunami monetário

Mantega disse que Brasil será alvo dos fluxos de capitais liberados pelos bancos centrais de países avançados e que o governo tomará medidas para que isso não atrapalhe o País.

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Ele afirmou que a expansão monetária é talvez a maior e única estratégia desses países para enfrentar a crise. "Essa estratégia impede que os bancos quebrem, mas o dinheiro não chega na mão do consumidor, não recupera a economia. Não é suficiente para a recuperação, porque não há política fiscal que estimule a retomada, ao contrário, é um fiscal de ajuste", disse.

Mantega disse ainda que "vai sobrar dinheiro para os países emergentes mais sólidos". "Virá recurso especulativo ganhar dinheiro aqui. Eles vêm aqui buscar as nossas taxas, os nossos negócios".

Segundo o ministro, alguns países entrarão em recessão neste ano e as economias de países avançados e emergentes, como China e Índia, também estão desacelerando em consequência da crise internacional.

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