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Wolfgang Schaeuble afirmou que a quinta fatia do resgate à Grécia não será liberada sem a aprovação do pacote de austeridade

Colocando a capacidade de Atenas pagar suas dívidas em questão, o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, alertou neste domingo que se o parlamento grego vetar os planos de austeridade do governo nesta semana, a Grécia pode não receber a quinta fatia do resgate de 110 bilhões de euros (equivalentes a R$ 251 bilhões em termos atuais).

“Se o pacote for rejeitado, o que ninguém espera que aconteça, então os pré-requisitos para que o FMI, a União Europeia e a Zona do Euro liberem a próxima fatia da ajuda não existirão mais”, informou o ministro ao jornal alemão Bild am Sonntag.

Em seu alerta, Schaeuble refere-se ao fato da Grécia precisar da quinta fatia da ajuda, de 12 bilhões de euros, para cobrir necessidades de financiamento que se intensificam após 15 de julho.

“A estabilidade de toda a Zona do Euro estaria em perigo e nós precisamos rapidamente nos assegurar que o risco de contágio para o sistema financeiro e outros países da Zona do Euro seria contido”, completou Schaeuble.

O parlamento grego deve votar o pacote de medidas na quarta ou quinta-feira. O plano inclui cortes adicionais de 6,5 bilhões de euros neste ano e economia de 22 bilhões de euros entre 2012 e 2015 para reduzir os déficits e cumprir os pré-requisitos da ajuda do FMI e da UE. As medidas incluem ainda o programa de privatizações, estimado em 50 bilhões de euros.

Apesar de se mostrar confiante em relação à aprovação do pacote, o ministro alemão afirmou que a UE está “fazendo de tudo para evitar que a crise aumente, mas nós precisamos estar prontos para tudo. É nossa responsabilidade e nós estamos nos preparando para isso”.

Segundo pacote de resgate

A reportagem do Bild am Sonntag deste domingo também trouxe comentários de Schaeuble sobre a participação de credores privados em um potencial segundo pacote de resgate, que deve ser semelhante em tamanho aos primeiros 110 bilhões de euros entregues à Grécia e durar até o final de 2014.

“Estabilizar e controlar a situação na Grécia é realmente do absoluto interesse de todos os investidores. Dessa forma, o setor privado não precisa de incentivos adicionais”, afirmou Schaeuble.

Os bancos alemães, que dizem ter uma exposição de cerca de 10 a 20 bilhões de euros à Grécia, pediram ao Estado que dê garantias caso eles participem em algum tipo de rolagem de dívida do país.

*Com Reuters

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