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Em decisão já esperada pelo mercado financeiro, Comitê de Política Monetária elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira a alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros da economia brasileira. Com isso, a taxa Selic chegou a 12,25% ao ano, mantendo o Brasil isolado na liderança dos maiores juros reais do mundo .

Em comunicado divulgado após o encontro, que começou na terça-feira, a autoridade monetária afirmou que "dando seguimento ao processo de ajuste gradual das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 12,25% ao ano, sem viés".

A autoridade monetária afirmou, ainda, que " considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012".

Essa foi a quarta elevação consecutiva da taxa de juros promovida pelo BC sob o comando de Alexandre Tombini. Nas duas primeiras reuniões de 2011, em janeiro e março , a Selic havia sido elevada em 0,5 ponto percentual. Em abril , o BC reduziu o ritmo e elevou os juros em 0,25 ponto percentual.

Com o aumento promovido nesta quarta-feira, o Banco Central segue a trajetória de ajuste da economia com a taxa de juros atingindo o maior patamar em dois anos e meio.

Em janeiro de 2009 a Selic estava em 12,75% e com tendência de queda, confirmada nos meses seguintes (ver gráfico) até atingir 8,75% ao ano em julho de 2009.

A Selic permaneceu inalterada nesse patamar até abril do ano passado, quando a autoridade monetária deu início a um novo ciclo de alta nos juros.

Comportamento da Selic

Variação da taxa básica de juros

Gerando gráfico...
Fonte: Banco Central

Na avaliação de analistas, a decisão do Copom de elevar a Selic em 0,25 ponto percentual ao invés de adotar um ajuste mais forte está baseada nos indícios de moderação no ritmo de expansão da atividade econômica, sinalizada após a divulgação de alguns indicadores importantes como o IPCA e a produção industrial , por exemplo, que apresentaram recuo nas últimas medições.

Para os analistas do mercado financeiro essa elevação pode se estender com uma nova alta de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Essa decisão, segundo especialistas, poderia ser mesclada com ações macroprudenciais adicionais para conter demandas específicas em alguns setores, caso a autoridade monetária avalie ser necessário promover alguma intervenção adicional, mas com imapcto menor nas contas públicas e na dinâmica da taxa de câmbio.

Credibilidade

A decisão do Copom desta quarta-feira foi anunciada em um momento em que a credibilidade do Banco Central começa a ser menos questionada. A autoridade monetária chegou a ter a atuação classificada como tolerante com a inflação por parte do mercado financeiro desde o início do ano.

Para o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, o BC começou a recuperar a confiança do mercado após o comunicado e a ata da última reunião do Copom em abril. "Como a comunicação ficou mais clara, o mercado parou de questionar as decisões da autoridade monetária", disse. Segundo Serrano, a unanimidade nas projeções do mercado financeiro quanto ao aumento de juros desta quarta-feira também são um reflexo da mudança de postura do BC em seus comunicados.

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