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Muita concorrência e margens menores fez companhia dar marcha a ré em automóveis, onde é a 5ª maior

A alta concorrência em seguros de carros e a abertura do mercado de resseguros levaram a americana Liberty, que está no país desde 1996 e no décimo lugar entre as maiores seguradoras no Brasil, a ampliar sua atuação. Após entrar em pequenas e médias empresas e prestadoras de serviços, a nova aposta é na pequena indústria, com patrimônio assegurado até R$ 5 milhões.

Neste mês, a seguradora lançará pacotes de proteção especiais, além das coberturas tradicionais como riscos patrimoniais e de responsabilidade civil, para nove nichos: produtores de vinhos, produtos metálicos, lacticínios, calçados e acessórios, máquinas, têxtil, alimentos, peças automotivas e bebidas não alcoólicas. No ano que vem, também será possível oferecer seguro garantia.

“Começamos a desenvolver uma estratégia de diversificação do portfólio porque tínhamos dependência muito grande em automóveis, que representa 85% dos prêmios emitidos com uma frota de 1,2 milhão de unidades. A ideia é não ficar refém da oscilação do mercado de carros”, disse com exclusividade ao BRASIL ECONÔMICO o presidente Pablo Barahona. “No longo prazo, de sete a dez anos, a ideia é que automóveis representem metade dos prêmios emitidos e os demais ramos a outra metade”, destacou. Até agosto, a seguradora somou R$ 1,4 bilhão em prêmios emitidos, avanço de 11%.

De acordo com o executivo, o segmento de automóveis esteve bem desafiador até agosto deste ano, com alta competição, que pressiona as margens. Para se ter uma ideia, dados da consultoria Siscorp Sistemas Corporativos revelam que o índice combinado da Liberty para o período foi de 107% — o indicador, quando está acima de 100%, revela prejuízo da operação de venda de apólices. “Temos feito reajustes no seguro de carro por conta de aumento significativo de taxas de roubo, particularmente em algumas regiões do Sul e também pela greve de polícia em Salvador”, apontou. No caso da Liberty, o reajuste médio foi de 7%, mas ele acredita em estabilização do valor das apólices no próximo ano.

Outro ponto que fez a empresa passar a diversificar a carteira foi a abertura do mercado de resseguros. “Antes da quebra do monopólio, era complicado participar do segmento de seguros corporativos, porque não havia capacidade pela dependência de um único fornecedor de resseguros”, explicou o diretor da área, Luciano Calheiros.

A Liberty espera crescer 8% em seguros de automóveis neste ano, em linha com mercado, mas prevê uma expansão na ordem de 40% nas demais linhas. A operação no Brasil é a número 2 da Liberty Internacional, atrás da Venezuela, por onde a companhia americana desembarcou na América do Sul.

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