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Luis Miguel Pascual. Paris, 19 mar (EFE).- A mobilização cidadã contra a política do presidente francês, Nicolas Sarkozy, diante da crise econômica tomou forma hoje no segundo dia de greve geral em menos de dois meses, no que foi uma das maiores manifestações desde sua chegada ao poder.

Os oito principais sindicatos da França levaram às ruas mais manifestantes do que em 29 de janeiro deste ano, quando chegaram a afirmar que tinham convocado as maiores passeatas dos últimos 20 anos.

No total, os sindicatos calcularam em três milhões o número de manifestantes em mais de 200 cidades francesas, cifra que a Polícia reduziu para 1,2 milhão.

De qualquer forma, a mobilização foi superior à de janeiro, quando os sindicatos presumiram ter reunido 2,5 milhões de pessoas, contra a soma de 1,08 milhão defendida pelas autoridades.

A grande mobilização do setor público, tradicional na França nas convocações para as greves gerais, desta vez teve o marcante apoio de trabalhadores de empresas privadas, afetados pelas consequências de uma crise que está provocando demissões e fechamentos de companhias.

Os principais líderes sindicais classificaram os acontecimentos como um "êxito sem precedentes" e reivindicaram uma nova rodada de negociações com o Governo.

Para eles, não valem mais as promessas feitas por Sarkozy há um mês, quando pôs sobre a mesa 2,6 bilhões de euros em forma de um pacote social para enfrentar as consequências da crise econômica.

Agora, os líderes sindicais exigem "medidas concretas", como assegurou o secretário-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), François Chereque.

Tais medidas passam por acabar com as demissões no funcionalismo público, aumentar os salários para estimular o consumo e proteger os avanços sociais conseguidos nos últimos anos os quais, segundo os sindicalistas, o Governo está enfraquecendo, como as 35 horas semanais de trabalho.

Amanhã, os líderes sindicais se reunirão para estudar as consequências desta greve geral e, eventualmente, convocar outra caso o Executivo não ceda.

Eles terão o primeiro sinal esta noite, quando escutarem na televisão o primeiro-ministro francês, François Fillon, o qual há poucos dias já avisava que não haveria novas despesas sociais, independente do que houvesse com a greve geral.

"Ele não pode virar a cara para não ver, deve voltar a sentar-se na mesa de negociação", alerta o líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Bernard Thibault, entusiasmado com a "fantástica" recepção de sua convocação à greve.

Além disso, os sindicatos sabem que estas convocações têm o apoio da opinião pública, como reflete uma pesquisa publicada na terça-feira passada, a qual assegurava que 78% dos franceses apoia as centrais operárias.

Como ocorreu há menos de dois meses, a greve foi um êxito de convocação, mas não atingiu o objetivo de paralisar o país.

Os serviços mínimos impostos pelo Governo nos últimos anos fizeram funcionar os transportes nas principais cidades.

Em Paris, verdadeiro termômetro da greve, o metrô e os ônibus funcionaram em quase total normalidade, motivo pelo qual a sensação de dia de greve geral só ficou presente nos lugares atravessados pelo imponente movimento de protesto.

Nos trens urbanos, o tráfego foi superior ao esperado, mas a suspensão de metade dos serviços em algumas linhas dificultou que muitos habitantes da periferia de Paris chegassem a seus postos de trabalho.

O transporte ferroviário de longa distância sofreu o maior baque: 55% dos trens regionais e 40% dos de alta velocidade, tanto internos como internacionais, ficaram parados.

Os aeroportos sofreram menos problemas do que em interrupções anteriores, embora alguns atrasos em torno de meia hora tenham sido registrados e 10% dos voos nacionais do Charles de Gaulle e 30% dos de Orly tenham sido cancelados. EFE lmpg/bba

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