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RIO DE JANEIRO - O Brasil, com contrato para receber entre 30 e 31 milhões de metros cúbicos diariamente de gás, tornou-se dependente do produto da Bolívia após acordo firmado em 1999. A Petrobras investe para aumentar a produção doméstica e também está construindo terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) para reduzir a dependência em relação ao país vizinho.

Nesta quinta-feira, o Brasil ficou mais uma vez à mercê dos acontecimentos na Bolívia quando o envio foi suspenso por mais de sete horas devido a um incidente relacionado à violência política que assola o país.

A seguir, veja detalhes da relação energética entre os dois países e as crises já ocorridas nos últimos anos.

*O acordo para construção do gasoduto é assinado entre Brasil e Bolívia em 1997. O gasoduto tem 3.150 quilômetros, sendo 557 na Bolívia e 2.593 no Brasil.

*A Bolívia tem a segunda maior reserva sul-americana de gás natural, depois da Venezuela, e fornece o produto para Brasil e Argentina.

*O contrato para fornecimento de gás natural da Bolívia para a Petrobras é assinado em 1999 com limite de 30 milhões de metros cúbicos diários, o equivalente a 200 mil barris diários de petróleo. O contrato tem duração até 2019.

*Evo Morales, primeiro presidente indígena boliviano, é eleito em 2006 e anuncia a nacionalização de ativos de hidrocarbonetos no país e exige rever contrato com Brasil.

*Petrobras suspende imediatamente investimentos de US$ 2 bilhões para duplicação do gasoduto Bolívia-Brasil após nacionalização no país vizinho, o que aumentaria a dependência da empresa do gás boliviano.

*Em vez de investir na Bolívia, a Petrobras decide em 2006 pela construção de dois terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL), um no Ceará e outro no Rio de Janeiro, que serão acionados a partir do ano que vem em momentos de crise. Os dois terminais juntos têm capacidade para produzir 28 milhões de metros cúbicos de gás natural a partir de GNL importado.

*Depois de muitas pressões governamentais, a Petrobras aceita aumento de preços do gás boliviano fora da fórmula que ajusta o combustível de 3 em 3 meses desde 1999.

*Em meio a divergências com o governo, o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, é substituído por Maria das Graças Foster, secretária de energia do Ministério de Minas e Energia.

*Morales ameaça expulsar as empresas estrangeiras que não apresentarem plano de investimento no país. Petrobras anuncia que vai investir US$ 1 bilhão para aumentar a produção na Bolívia, mas descarta retomar obra de duplicação do gasoduto e não detalha investimento no país vizinho.

*Petrobras anuncia em novembro de 2007 descoberta de reservas gigantes de petróleo e gás natural na camada pré-sal da bacia de Santos, aumentando as chances de independência em relação à Bolívia.

*Petrobras reduz envio de gás para distribuidoras de gás natural para poder atender ao aumento da demanda das usinas termelétricas do país. A medida acendeu luz amarela quanto ao risco de desabastecimento energético no País.

*A Bolívia anuncia no início de 2008 que não tem condições de abastecer Brasil e Argentina e diz que vai reduzir volume de gás para o mercado brasileiro, causando novamente uma crise entre as estatais Petrobras e YPFB, que vende o gás boliviano.

Como o contrato com o Brasil é prioritário, o abastecimento não é alterado.

*Morales vai ao Irã e Líbia para tentar conseguir investimentos para aumentar a produção de gás natural no país.

*No dia 4 de setembro uma crise política interna faz a oposição a Evo Morales ameaçar cortar o gás para o Brasil, o que acabou acontecendo nos dias 10 e 11 de setembro.

Números:

*Atualmente, o Brasil importa do país vizinho metade do que consome, ou 31 milhões de metros cúbicos diários.

*A Petrobras produz 61 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, mas injeta 10 milhões para aumentar a produtividade em poços; queima 6 milhões e usa 7 milhões para fabricação de fertilizantes e nas suas refinarias.

*Pelo Plano de Negócios da Petrobras 2008-2012, os investimentos para aumentar a produção de gás natural somam US$ 6,7 bilhões no período, de um total de US$ 112,4 bilhões.

*O Plano de Negócios prevê que em 2012 a oferta de gás natural da companhia será de 72,9 milhões de metros cúbicos diários que, somados aos 30 milhões da Bolívia e aos 31,1 milhões de GNL, levará a oferta a 134 milhões de metros cúbicos.

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