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Economista-chefe do banco considera que intenção do BC é manter a taxa de juros no atual patamar por período relativamente longo

O Banco Safra de Investimentos trabalha com a expectativa de manutenção da taxa Selic em 10,75% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, mas avalia que as projeções de inflação "ao redor do valor central da meta", feitas pelo colegiado em ata, recuaram devido, principalmente, à apreciação do câmbio real.

Cristiano Oliveira, economista-chefe, considera que a intenção do Banco Central é manter a taxa de juros no atual patamar por um período relativamente longo, levando em conta os seguintes fatores: o viés desinflacionário do ambiente internacional de baixo crescimento das economias maduras (Estados Unidos, Zona do Euro e Japão); a apreciação do câmbio real que reduz, neste momento, a taxa de juros real neutra da economia brasileira; e a expectativa de menor ritmo de crescimento da economia brasileira em 2011.

"Mas existem riscos", afirma Oliveira que lembra o fato de o BC trabalhar com a perspectiva de que o superávit primário em 2011 retornando, sem ajustes, ao patamar de 3,3% do PIB, ou seja, o Copom trabalha com o cenário de política fiscal menos expansionista do que aquela que tem prevalecido nos últimos dois anos.

Ainda neste sentido, outro ponto que merece atenção especial do comitê é o ritmo de expansão do crédito dos bancos públicos nos próximos trimestres, em especial do BNDES.

"Além disso, avaliamos que o risco de aceleração da inflação de serviços em 2011 continua latente, dado o dinamismo da atividade doméstica, principalmente no mercado de trabalho. Assim, acreditamos que o sucesso ou fracasso da intenção do Copom de manter a taxa Selic em 10,75% a.a., por um período relativamente longo, dependerá essencialmente da evolução das políticas fiscal e creditícia e do ritmo de crescimento da absorção doméstica nos próximos trimestres - mesmo que a influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica revele viés desinflacionário".

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