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O principal fator para a queda do IGP-10 em junho foi o recuo do Índice de Preços ao Produtor Amplo, que caiu 0,69% em junho

As boas condições para a atual safra e a desaceleração dos preços das commodities contribuíram para que o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) recuasse 0,22% em junho, o primeiro resultado negativo desde os -0,07% de dezembro de 2009 e o menor nível desde os -0,60% de agosto de 2009.

O principal fator para a queda do IGP-10 em junho foi o recuo do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que caiu 0,69% em junho, na primeira deflação desde os 0,25% de dezembro. O coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Salomão Quadros, ponderou que não enxerga uma tendência para um ciclo de deflação no segundo semestre, apesar de acreditar numa acomodação do acumulado em 12 meses, que fechou junho em 8,78%, contra 10,44% em maio.

"O processo de desaceleração em 12 meses, que demorou um pouco para ficar mais visível, veio forte em junho e há uma margem boa para desaceleração nos próximos meses", disse, lembrando que, a partir de setembro, o IGP-10 trocará altas superiores a 1% registradas no ano passado. Apesar do resultado de deflação mostrado em junho, Quadros não acredita numa repetição de resultados negativos como aconteceu em 2009, quando a economia global passava pela sua pior crise desde os anos 30.

"Nem por causa do câmbio, nem por choques externos, não vejo isso como sinal de um novo ciclo", frisou Quadros. Dentro do IPA, o economista destacou a ausência de problemas climáticos e o arrefecimento da trajetória de elevação das commodities agrícolas como principais razões para que os alimentos aliviassem a pressão no atacado. As matérias-primas brutas agropecuárias recuaram 2,56% em junho, a maior queda desde os -4,53% de setembro de 2008.

Entre os principais produtos que puxaram o resultado para baixo, destaque para o milho, com queda de 2,45% depois de uma alta de 0,50% em maio; o trigo, que passou de +0,48% para -0,74% no mesmo período; a cana-de-açúcar, que passou de 11,17% para -0,14%; os suínos, que foram de +2,96% para -9,33% entre maio e junho; os bovinos, que passaram de -1,31% para 2,94%; e as aves, que foram de -4,53% para -7,19%.

Os alimentos também mostraram queda dentro dos bens finais, recuando 1,69% em junho, contra alta de 0,40% no mês anterior. Dentro desse grupo, os alimentos in natura recuaram 4,47%, contra avanço de 3,82% em maio. Já os alimentos processados tiveram recuo mais tímido, com baixa de 0,73% em junho, contra alta de 0,74% em maio.

Dentro dos in natura, a batata inglesa passou de uma alta de 37,13% em maio para -17,04% em junho; o feijão caiu 0,46%, depois de subir 6,92%; os ovos recuaram 10,01%, depois de subirem 1,40% em maio. Entre os processados, as aves abatidas e frigorificadas passaram de -0,73% em maio para -4,32% em junho; o leite industrializado foi de 5,33% para 1,39%; e a carne bovina passou de -1,09% em maio para -2,18% em junho.

O economista do Ibre destacou ainda o recuo do álcool hidratado dentro dos bens finais. O produto passou de -5,92% em maio para -17,77% em junho. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-10, também mostrou forte desaceleração em junho, passando de 0,98% em maio para 0,10% este mês.

A desaceleração atingiu todas as classes de despesa, com destaque para a alimentação, que saiu de um avanço de 1,04% em maio para -0,37% este mês, e para os transportes, que passaram de 1,74% em maio para -0,79% em junho.

A exemplo do que aconteceu no IPA, os alimentos in natura puxaram a desaceleração do varejo. O feijão preto passou de 1,42% em maio para -0,08% este mês; as hortaliças e legumes passaram de 4,75% para -0,86%; o leite longa vida desacelerou de 4,72% para 2,08%; e o frango em pedaços, que havia subido 0,54% em maio, recuou 1,91% em junho.

Nos transportes, apesar da aceleração dos ônibus urbanos, que passaram de 0,12% em maio para 0,79% em junho, o grupo se beneficiou dos combustíveis. A gasolina passou de 5,61% em maio para -1,92% em junho; enquanto o álcool foi de 3,67% no mês passada para -14,45% este mês.

O economista do Ibre André Braz explicou que, apesar da desaceleração em junho, há espaços para uma alta puxada pelos preços administrados nos próximos meses. Segundo ele, há aumentos programados para cidades como Rio e São Paulo nos setores de energia elétrica e água e esgoto, que poderão pressionar o IPC até o fim do ano. Os administrados têm peso de 30% no IPC. "A moral da história é que a queda poderá não ser tão intensa nos próximos meses pelo anúncio dos preços administrados", disse, acrescentando que a telefonia fixa também poderá pressionar mais este ano que em 2010.

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