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Porto Alegre, 2 - O excesso de chuvas no plantio da safra de verão pode reduzir em até 4 milhões de toneladas o potencial de produção do Rio Grande do Sul na safra 2009/2010, estimou hoje o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto. Ele prevê perdas nas lavouras de arroz, milho e feijão.

Na safra 2008/2009, o Estado colheu 22,5 milhões de toneladas, considerando as principais culturas de verão e o trigo. A Conab prevê produção entre 22,6 e 23 milhões de toneladas no ciclo 2009/2010 no Estado. Se a previsão da Farsul se confirmar, a colheita cairia para 18 milhões de toneladas.

O problema principal está na lavoura de arroz, cuja expectativa de colheita é de até 7,4 milhões de toneladas, segundo a Conab. O Instituto Riograndense do Arroz (Irga) e a Federação dos Arrozeiros (Federarroz) divulgaram levantamento hoje indicando que 23% da área estimada para o grão estão alagados, o equivalente a 240 mil hectares.

As entidades calculam que 70 mil hectares serão replantados, com custo de R$ 56 milhões. Nesta parcela, a produtividade média deve cair para 1.500 quilos por hectare, gerando 105 mil toneladas a menos na produção. A redução na área destinada à lavoura de arroz, que terá 60 mil hectares a menos em relação à previsão inicial, representa perda de 420 mil toneladas.

Considerando queda de rendimento com o plantio atrasado, demora no manejo e recuperação de áreas alagadas, a colheita deve perder 980 mil toneladas, segundo a estimativa do Irga e Federarroz.

O presidente da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues, lembrou que o Ministério da Agricultura aprovou a prorrogação, até 20 de dezembro, do zoneamento para plantio de arroz, por causa do excesso de chuvas em novembro. Desta forma, o produtor pode contratar financiamento público para formar a lavoura dentro do período autorizado.

A expectativa é se os agricultores terão condições de plantar nos próximos dias e, mesmo se conseguirem, o período ideal de cultivo já terminou. Sperotto projetou que o arroz perderá 3 milhões de toneladas, e milho e feijão, 1 milhão de toneladas, na comparação com a colheita passada.

A safrinha de milho, que habitualmente ocupa uma pequena área no Estado, ficará comprometida pelo atraso na implantação da safra principal. O plantio atingia 74% da área estimada até a semana passada. A melhor época de cultivo ocorre em setembro. A colheita de trigo havia chegado a 69% da área, quando nesta época do ano passado estava em 92%. O nordeste gaúcho, que habitualmente produz trigo de qualidade, está na parcela que ainda não foi colhida por causa do clima, observou Rodrigues.

Ao fazer um balanço do ano no setor agrícola, Sperotto voltou a cobrar apoio do governo na comercialização de trigo que permanece em estoque da safra passada. A entidade calcula que aproximadamente 150 mil toneladas ainda estão estocadas e não há compradores. "A engrenagem tem que andar", disse Sperotto, sobre a necessidade de abrir espaço nos armazéns para a chegada da nova safra. Como o preço de venda também é ruim, o dirigente disse que haverá "um grande desestímulo" ao trigo no Estado. Além dos problemas de plantio de verão, a pecuária também enfrenta dificuldades por causa do clima e do alagamento de áreas de pastagem.

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