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A Sadia divulgou nota de esclarecimento sobre investigação policial que apontaria o uso ilegal de contratos de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) pela companhia, de acordo com reportagem publicada na edição de hoje do jornal Folha de S.Paulo.

A empresa informa que todos os ACCs estão lastreados em exportações efetivamente realizadas e registradas no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen) - na contratação do ACC com banco - e no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) - no caso do registro da exportação e embarque.

A companhia diz ainda que as investigações, iniciadas pela Polícia Civil e agora na Polícia Federal, visam averiguar operações feitas pela Corretora Lira, que prestava serviços à indústria, e que a Sadia não é foco da apuração. A empresa afirma que tem o papel de testemunha nas investigações.

"A Sadia está colaborando com as investigações e já apresentou à Polícia Federal, na condição de testemunha, a documentação que comprova a lisura e a licitude das operações praticadas pela empresa com a corretora Lira", diz a empresa. A Lira estaria envolvida em suspeitas de remessas ilegais de dólares para fora do País, segundo a reportagem da Folha. A corretora mantém registro no Banco Central, mas não aparece na lista de corretoras habilitadas a operar disponível no site da BM&FBovespa.

Na nota, a Sadia também comenta a informação publicada hoje na reportagem da Folha de S.Paulo de que a empresa chegou a emitir US$ 60 milhões em ACC em um único dia. "Sobre o fato de Sadia ter feito em apenas um dia US$ 60 milhões em operações de ACC, não há nada de atípico, dado o enorme volume de exportações da companhia - que, em 2008, chegou a ultrapassar US$ 300 milhões num único mês." A Sadia diz ainda que todas as operações estão contabilizadas em suas demonstrações financeiras e detalhadas em notas explicativas.

A Sadia finaliza a nota afirmando que "reconhece e confia na seriedade do trabalho da Polícia Federal e se mantém à disposição das autoridades para ajudar no esclarecimento dos fatos".

A NGO Corretora de Câmbio, que também prestava serviços à Sadia e foi intimada a esclarecer a sua relação com a empresa, divulgou nota de esclarecimento sobre o assunto hoje. A Sadia foi cliente da NGO para intermediação de operações de câmbio de maio de 1999 a maio de 2004, quando a companhia passou a utilizar os serviços da corretora Concórdia, que fazia parte do grupo.

Nesse período, segundo a NGO, "nunca houve qualquer apontamento da autoridade (Receita Federal) ou constatação de nossa parte de não ocorrência de embarques por parte da empresa relativos aos contratos que havíamos intermediado, entendendo, portanto, que tenham sido total e regularmente cumpridos", diz a nota da NGO. A NGO diz ainda que "nunca teve qualquer envolvimento com o processo desencadeado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo e Polícia Federal" e que sua relação com a investigação limitou-se a apresentar informações sobre a sua relação com a empresa de alimentos.

A suspeita levantada sobre o uso ilegal dos ACCs acontece meses depois de a companhia conseguir melhorar sua situação financeira e imagem após a perda de R$ 2,5 bilhões que a empresa amargou em 2008 com o episódio dos derivativos. Operações arriscadas com derivativos cambiais, que vieram à tona com a crise financeira detonada pela quebra do Lehman Brothers, colocaram a companhia em uma forte crise financeira que a obrigou a procurar uma alternativa para conseguir manter suas operações. A solução encontrada foi a fusão com a Perdigão, criando a BRF-Brasil Foods em maio do ano passado.

As ações da BRF não apresentaram reação à notícia de que a Sadia estaria envolvida em irregularidades envolvendo contratos de câmbio. O papel fechou em alta de 0,41%, cotado a R$ 43,85, ante alta de 1,33% do Ibovespa.

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