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Moscou - A Rússia retomou nesta terça-feira o bombeamento de gás à Europa através da Ucrânia após um corte de 13 dias que prejudicou milhões de europeus, principalmente no leste e nos Bálcãs em pleno inverno e pôs em xeque a confiabilidade de Moscou e Kiev como parceiros comerciais da União Europeia no âmbito da energia.

Às 10h05 de Moscou (5h05 de Brasília) o gás natural russo começou a fluir em direção à Ucrânia, informou em comunicado oficial a estatal russa Gazprom.

"O sistema de gasodutos ucraniano começou a receber gás russo às 10h24 de Moscou" (5h24 de Brasília), declarou um representante da Gazprom na fronteira com a Ucrânia, citado pela agência oficial russa "RIA Novosti".

De Kiev, a companhia ucraniana Ukrtransgaz, confirmou pouco depois que o combustível começou a chegar a seus gasodutos.

O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, também confirmou que o fluxo de gás russo foi retomado e está a caminho da Europa central.

Pela Ucrânia, passa 80% do gás que a Rússia exporta à Europa (os outros 20% vão por Belarus).

Segundo a estatal de gás ucraniana Naftogaz, o fornecimento de gás natural russo aos consumidores europeus estará plenamente restabelecido nas próximas horas.

A Bulgária, que cobre 90% de suas necessidades energéticas com importações de gás russo, teve que restringir a mais da metade o consumo habitual de seus 12 milhões de metros cúbicos diário.

Na Grécia, onde esta dependência é de 67%, um porta-voz da empresa de Gás Natural Grega (Depa), declarou à Agência Efe que, com o fornecimento normalizado hoje, o combustível chegará ao país em três ou quatro dias.

Por sua parte, a Romênia espera normalizar as importações de gás natural da Rússia a partir de amanhã, quarta-feira, informou hoje a companhia nacional de transporte Transgaz, enquanto a Turquia foi obrigada a importar gás do Irã.

A Gazprom bombeará no sistema de gasodutos ucranianos um total de 423,8 milhões de metros cúbicos diários de gás, dos quais 348,8 milhões serão destinados à Europa e os 85 milhões restantes, aos consumidores da Ucrânia.

O desbloqueio do abastecimento de gás da Europa através da Ucrânia foi possível após a assinatura, ontem por Gazprom e Naftogaz, de novos contratos, por dez anos, para o fornecimento à Ucrânia e para o trânsito do combustível russo destinado ao resto do continente.

Segundo os acordos firmados pelos primeiros-ministros da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Yulia Timoshenko, e referendados nos novos contratos, a Ucrânia pagará preços de mercado pelo gás russo já neste ano.

No entanto, em 2009, a Ucrânia ainda terá um desconto de 20% sobre o preço de mercado, pagando a tarifa de US$ 360 por mil metros cúbicos no primeiro trimestre, segundo informou hoje o chefe da Gazprom, Alexei Miller, ao presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.

O desconto, segundo explicou Putin no momento de firmar os acordos, depende que a Ucrânia mantenha para a Rússia neste ano a tarifa preferencial de passagem de US$ 1,7 por mil metros cúbicos em 100 quilômetros, para o gás que envia aos países europeus.

A partir de 2010, as tarifas tanto para o trânsito como para o fornecimento de gás à Ucrânia serão fixadas sem nenhum tipo de descontos nem preferências.

O conflito entre Rússia e Ucrânia explodiu no último dia 1º, quando a Gazprom cortou totalmente o fornecimento ao país vizinho após não chegar a um acordo de tarifas para este ano com Naftogaz, à qual ofereceu um preço de US$ 250 por mil metros cúbicos de gás para todo 2009.

No ano passado, Ucrânia pagou US$ 179,5 por cada mil metros cúbicos de gás e, para este ano, Kiev pedia que se mantivesse o preço de 2008, aceitando, no máximo, o aumento até US$ 235, com a Rússia aceitando um aumento da tarifa de passagem.

Por enquanto, o novo mecanismo de estabelecimento de tarifas para o gás prevê a revisão trimestral dos preços, que, segundo todas as previsões, cairão bruscamente em breve.

Somente em setembro se verá o ganhador desta queda-de-braço comercial entre Moscou e Kiev que teve a Europa como refém.

Em todo caso, tanto Rússia quanto Ucrânia perderam em suas relações com a União Europa, que ameaçou revisar inclusive seus vínculos com ambos os países, caso não resolvessem suas disputas comerciais e que buscará, sem dúvida, fontes alternativas para reduzir sua dependência do gás russo.

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