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Londres, 19 out (EFE).- O Governo do Reino Unido preparou em sigilo um plano que taxará os consumidores britânicos de energia elétrica para, assim, subsidiar a construção de novas usinas nucleares neste país.

Assim revela hoje o jornal "The Guardian", segundo o qual esse plano secreto contradiz as reiteradas promessas do Governo de que a indústria nuclear não se beneficiará como antes das subvenções publicas.

O setor está sob fortes pressões e existem temores de que haja um déficit energético à medida que as antigas usinas nucleares pararem de funcionar e dado o aumento das manifestações de protesto contra as novas unidades de carvão.

O Governo está preocupado com a possibilidade de que as empresas elétricas, como a alemã E.ON ou a francesa EDF Energy, não queiram se comprometer a construir novas usinas nucleares, devido à queda dos preços da energia e do temor de que não recuperem o valor multimilionário que investiriam.

O Governo chegou à conclusão de que só se aumentar o custo para o consumidor da energia gerada pelas centrais de gás ou carvão poderá incentivar as empresas elétricas a construir novos reatores.

Segundo o "Guardian", o Escritório de Desenvolvimento Nuclear criado pelo Ministério dos Negócios, liderado por Peter Mandelson, prometeu às companhias que não será permitido que o preço do carbono no mecanismo de troca de emissões da União Europeia, que é atualmente de cerca de 13 euros por tonelada, caia abaixo de 30 euros, mas o ideal seria que alcançasse 40 euros.

De acordo com a empresa de consultoria EIC, o novo imposto sobre o carbono acrescentaria 44 libras (48 euros) a uma fatura média de 500 libras (545 euros).

Funcionários do Escritório de Desenvolvimento Nuclear disseram em particular às companhias de eletricidade que, se na reunião de dezembro sobre a mudança climática não se chegar a um acordo que aumente de modo significativo o preço do carbono, o Governo britânico agirá por conta própria no início do próximo ano.

Políticos e ambientalistas se mostram, no entanto, cada vez mais pessimistas em relação a que, nessa cúpula em Copenhague, promovida pela ONU, seja alcançado um acordo significativo de caráter vinculativo, o que torna mais que provável que o Governo britânico decida tomar suas próprias decisões.

"A energia nuclear significa sempre enormes subvenções a cargo do contribuinte. Empresas como a EDF Energy estão vacilantes perante o custo previsto das novas usinas nucleares, e parece que o Governo tenta convencê-las com dinheiro público, e isso apesar de ter afirmado categoricamente que os novos reatores poderão subsistir sem subsídios", critica John Sauven, diretor-executivo do Greenpeace.

EFE jr/an

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