Tamanho do texto

Montadoras de veículos começam a enfrentar obstáculos para manter o ritmo acelerado de produção neste fim de ano. Muitas empresas suspenderam as tradicionais férias coletivas, medida que gerou protestos de prestadores de serviços na fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP).

Já a Fiat, criticada por excesso de uso de horas extras, pode anunciar hoje a contratação de pessoal para aliviar a carga de trabalho dos funcionários da fábrica de Betim (MG).

No mesmo dia em que a unidade da Volkswagen de Taubaté comemorou a marca de 5 milhões de carros produzidos, cerca de 50 motoristas dos ônibus da empresa Tursan, que atendem montadora, fizeram ontem uma manifestação na porta da fábrica, atrasando em uma hora a entrada de mais de 2,5 mil operários da empresa.

O protesto provocou uma fila de mais de dois quilômetros de veículos entre o distrito do Quiririm até a porta da Volks. Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba, José Carlos de Souza, os motoristas reclamam da falta de cumprimento de acordos trabalhistas e querem contrapartidas para cumprirem jornadas extras no fim do ano, como abono e cestas de Natal.

Na semana passada, a direção da Fiat foi chamada pelo Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais por causa de reclamações de jornada excessiva de trabalho. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, os operários trabalham até oito horas semanais além do normal.

Hoje, a Fiat se reunirá com a entidade para negociar admissões, definição de horas extras e as férias coletivas deste fim de ano. No início da semana, o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, afirmou que a convocação de horas extras segue as normas trabalhistas.

"Me dá a impressão de que querem que a gente mande a produção para fora do Brasil", lamentou Belini. A fábrica de Betim opera com 100% de capacidade (cerca de 3 mil veículos por dia) e uma das alternativas para ampliar a produção do grupo é utilizar mais a fábrica da Argentina, onde é feito o modelo Siena, entre outros.

A Fiat também definirá hoje o período de férias coletivas, que deve ser bem inferior ao do ano passado, quando todas as montadoras dispensaram os funcionários por longos períodos por causa da queda de vendas provocada pela crise financeira internacional.

Ford e General Motors já anunciaram que em algumas fábricas só serão dadas as folgas de Natal e Ano Novo, sem interrupção da produção para férias coletivas. Nas unidades da Volkswagen, os funcionários ficarão em casa no máximo por duas semanas, mas a folga já foi compensada com jornadas extras durante o ano.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.

    Notícias Recomendadas