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Os discursos inflamados dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy nos últimos três dias são uma tentativa de países industrializados e emergentes formarem, na Conferência do Clima, um bloco em oposição a Washington e Pequim. A afirmação foi feita ontem pelo jornal Le Monde.

De um lado, Lula se comprometeu com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e com Sarkozy a telefonar para os presidentes Barack Obama e Hu Jintao para discutir a questão. Do outro, os líderes francês e britânico darão início a uma turnê internacional para convocar um acordo.

Nesta quinta-feira, Sarkozy e Brown se reunirão com os 27 chefes de Estado e de governo, em Bruxelas, para tentar consolidar uma posição da União Europeia sobre o tema, desta vez com o apoio integral da chanceler alemã, Angela Merkel, e do anfitrião do evento, o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen.

Em 27 e 28 de novembro, Sarkozy será o convidado de honra de Brown na reunião dos países do Commonwealth - áfrica anglófona, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Índia. Também neste mês, o francês se encontrará com líderes africanos na Etiópia. Antes disso, o ministro do Meio Ambiente da França, Jean-Louis Borloo, fará giro em Nova Delhi, onde tentará convencer o premiê indiano, Manmohan Singh, a se descolar da China.

IMPOSTO
Na Europa, cresce a defesa de um imposto sobre a importação de produtos fabricados em países que não adotem compromissos climáticos. A taxação foi avaliada pela Organização Mundial do Comércio e pelo Programa das Nações Unidas (Pnue) para o Meio Ambiente em junho e não foi considerada ação protecionista.

"Se Copenhague fracassar, essa discussão ganharia peso político. Mas não é algo positivo", disse Achim Steiner, diretor-geral do Pnue.

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