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A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi concluída ontem sem uma agenda clara para concluir a Rodada Doha, com a credibilidade da entidade arranhada e uma apatia inédita na organização que serve como o centro do comércio mundial. O próprio diretor da entidade, Pascal Lamy, alertou que nesse ritmo as negociações dificilmente seriam concluídas em 2010.

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Com o pior ano para o comércio em sete décadas, diplomatas indicaram que a OMC demonstrou que sofre para dar uma nova resposta à crise. Todos os ministros garantiram que são contra o protecionismo e afirmaram que querem concluir a Rodada Doha até o fim de 2010. Mas não há um acordo nem agenda sobre como isso deva ocorrer. Os dedos apontavam a administração Barack Obama como a responsável pelo impasse. Sou o cara mais atacado nesse local, disse ao Estado o representante de Comércio da Casa Branca, Ron Kirk.

Emergentes, europeus e mesmo aliados estratégicos dos Estados Unidos acusaram Washington de estar pedindo novas concessões na abertura de mercados, sabendo que isso travaria o processo. Kirk deixou claro que os americanos apenas aceitarão um acordo que signifique a criação de postos de trabalho nos Estados Unidos em setores exportadores. O presidente Obama quer um acordo. Mas um que abra o comércio para exportações, disse. A questão é se há um compromisso político dos demais países. Todos terão de tomar decisões difíceis, inclusive aqueles que querem liderar, afirmou Kirk, em uma mensagem ao Brasil.

Para Amorim, o que os EUA estão fazendo é desmontando a rodada, ao pedirem mais liberalização de mercado. Nos três dias de debates, o chanceler não apareceu e ontem nem esperou a conclusão do evento. Amorim interveio apenas na abertura do evento, na segunda-feira. Seu discurso durou três minutos. Mas foi forte suficiente para irritar os americanos. O único acordo assinado foi entre o Brasil e cerca de 20 países emergentes para cortar em 20% as tarifas para produtos agrícolas e industriais entre eles. Mesmo assim, não se sabe ao certo quais produtos serão liberalizados. Isso será decidido nos próximos dez meses. O projeto, batizado de Rodada São Paulo, foi lançado na capital paulista em 2004.

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