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Por Lucia Mutikani WASHINGTON (Reuters) - Os empregadores norte-americanos cortaram bem menos postos de trabalho que o esperado em novembro, mostrando o melhor quadro do mercado de trabalho desde o início da recessão.

A economia dos Estados Unidos fechou somente 11 mil empregos em novembro, bem abaixo das 130 mil demissões esperadas por analistas. A taxa de desemprego caiu para 10,0 por cento, ante 10,2 por cento em outubro.

A melhora foi generalizada, com o número de demissões em setembro e outubro revisado para baixo, para um total de 159 mil, informou o Departamento de Trabalho nesta sexta-feira.

"Esses números são quase bons demais para ser verdade", disse Tom Sowanick, vice-presidente de investimentos do OmniVest Group em Princeton, New Jersey.

Os preços dos títulos da dívida do Tesouro caíram e o dólar ganhou força, com investidores especulando que os dados podem levar o Federal Reserve a aumentar o juro mais cedo que o esperado.

"Nós estamos quase de volta ao normal", disse Chris Rupkey, economista do Bank of Tokyo/Mitsubishi UFJ, em Nova York. "A economia está se recuperando a uma taxa muito maior que o esperado."

Analistas esperavam que a taxa de desemprego continuasse no maior nível em 26 anos e meio, de 10,2 por cento.

Outro reltório sobre as encomendas à indústria em outubro mostrou aumento maior que o esperado, de 0,6 por cento. Mas um componente dos dados visto como uma prévia para os investimentos diminuiu 3,4 por cento.

AJUDA A OBAMA

O desemprego alto é uma dor de cabeça política para o presidente norte-americano, Barack Obama, e os democratas, que estão preocupados em perder postos no Congresso sem uma recuperação mais rápida da economia.

Apesar dos números melhores de novembro, o governo Obama deixou claro que ainda está centrado na criação de empregos.

"Eu não diria que nós saímos dessa totalmente porque o número de desempregados ainda é alto. É muito alto e é inaceitável, e nós precisamos continuar nossos esforços na criação de empregos", disse a secretária de Trabalho, Hilda Solis, à Reuters Television.

Na véspera, Obama apelou ao setor corporativo para se juntar aos esforços de criação de empregos e a Casa Branca informou nesta sexta-feira que o presidente deve aproveitar um discurso na semana que vem para discutir o uso de recursos do pacote de socorro financeiro de 700 bilhões de dólares para incentivar a criação de empregos.

Os republicanos alertaram contra o uso do TARP e criticaram o governo pelos cortes de empregos. "A taxa de desemprego permanece muito alta e muitos americanos continuam a se perguntar onde estão seus empregos", disse o deputado republicano David Camp.

Apesar de a economia norte-americana ter voltado a crescer no terceiro trimestre após quatro trimestres de declínio, economistas estão preocupados que a fraqueza do mercado de trabalho impeça uma recuperação sustentável.

"Os dados apontam uma transição na economia, de uma recessão profunda a uma recuperação modesta", disse William Sullivan, economista-chefe do JVB Financial Group, em Boca Raton, Flórida. "Isso vai encorajar o Fed a falar mais sobre uma estratégia de saída da postura altamente expansionista."

Desde dezembro de 2007, quando a economia entrou em recessão, 7,2 milhões de empregos foram perdidos, informou o Departamento de Trabalho. Mas o ritmo das demissões diminuiu muito em relação ao início deste ano.

O dado de novembro foi o melhor desde dezembro de 2007.

Quatro setores, incluindo o governo, criaram vagas no mês passado. Os empregos na indústria caíram 41 mil, após baixa de 51 mil em outubro.

O setor de construção cortou 27 mil empregos, uma melhora siginificativa frente ao corte médio de 63 mil nos seis meses anteriores, enquanto o setor de serviços gerou 58 mil postos, muito mais que o aumento de 2 mil empregos de outubro.

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