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A forte queda da taxa básica de juros, a Selic, anunciada quarta-feira, trouxe de volta à equipe econômica a discussão sobre a remuneração da poupança e a necessidade de, futuramente, reduzi-la para não atrapalhar a continuidade do processo de corte da Selic. Esse foi um dos temas abordados ontem na reunião do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com senadores do grupo de acompanhamento da crise do Senado.

O assunto foi levantado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Os relatos divergem se Meirelles teria colocado o problema como um empecilho para uma queda maior nos juros, mas de qualquer forma, o assunto foi abordado por ele na reunião. Por enquanto, o patamar da taxa Selic ainda não configura um problema de distorção dos rendimentos das aplicações financeiras, porque enquanto a Selic está em 11,25% ao ano, o rendimento nominal da poupança (Taxa Referencial mais 6%) está na casa dos 8%. Os senadores acreditam que o governo deve buscar uma solução para o dilema em prazo relativamente curto, já que novos cortes na Selic estão sendo esperados para os próximos meses.

O presidente do BC teria afirmado que a remuneração da poupança pode gerar uma distorção, como a que ocorreu em 2007, quando a Selic atingiu pela primeira vez seu piso histórico 11,25% ao ano. Naquele ano, o BC chegou a reduzir o rendimento da poupança mudando a fórmula de cálculo da TR. Com a Selic cada vez mais baixa, a rentabilidade dos fundos de investimento, descontando-se Imposto de Renda e taxa de administração, se aproxima da verificada na poupança - que tem rendimento quase fixo e é livre de impostos e de taxa de administração. Nesse cenário, o risco é de uma migração em massa de recursos aplicados em fundos para a caderneta de poupança.

Tal cenário teria impacto nos bancos, já que reduziria a clientela dos fundos de investimento e aumentaria o volume de recursos que teriam que obrigatoriamente ser emprestados para habitação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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