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Decisão do Copom estaria aliada ao PIB e a inflação em queda; organizações têm opiniões divergentes

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir pela quinta vez consecutiva a taxa básica de juros (Selic) não tem relação direta com a “guerra cambial”, com a injeção de quase R$ 9 trilhões no mercado financeiro por parte dos bancos centrais dos países mais desenvolvidos, principalmente a Europa, nos últimos três anos.

A avaliação é do economista e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando de Holanda Barbosa Filho. “Eu acredito que essa decisão do Banco Central em reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual deve-se a divulgação do PIB [Produto Interno Bruto] realizada ontem , onde o Brasil cresceu somente 2,7% em 2011. Junto com isso, a inflação está em queda em relação ao ano passado, quando fechou o ano de 2011, no topo da meta de 6,5%, e este ano ela já está convergindo e deve fechar o ano com a taxa de 5,5% a 5%”.

Fernando de Holanda disse que com o PIB divulgado ontem e a redução da inflação são os fatores primordiais que determinam a queda na taxa de juros. “Eu não acho que tenha relação com a expansão de liquidez no mercado externo, devido à crise europeia, mais especificamente”.

O economista da FGV disse que a redução recente do crescimento chinês de 8% para 7,5% ao ano vai tender a baixar o preço das commodities e afetar negativamente a agricultura no Brasil. Segundo Holanda, o lado bom é “que essa medida não deve pressionar a inflação”.

“O que acontece nessas situações é que a crise mundial e o preço das commodities ajudam, na verdade, a reduzir a inflação e dão até mais espaço para o governo reduzir os juros e tentar melhorar o nível de atividade doméstica”.

Opiniões divergentes


A Federação do Comércio do Rio (Fecomércio–RJ) elogiou a decisão do Copom. Para o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, “um dia depois de tomarmos ciência do grau de desaceleração da economia brasileira, não poderíamos receber outra decisão do BC. Se já era um resultado esperado, depois da divulgação do PIB [Produto Interno Bruto] desta terça-feira, o corte firme nos juros tornou-se ainda mais premente. Vivemos hoje um ambiente marcado por inflação em queda, cortes no Orçamento federal, desaquecimento de importantes economias no front internacional, crescimento doméstico acima de seu potencial, investimentos em vias de maturação e diferencial de juros como atrativo ao capital especulativo”.

Segundo Diniz, a redução acelerada dos juros é condição essencial para “ampliarmos nossa capacidade de crescer sem gerar inflação, por meio dos impulsos aos investimentos, do maior fôlego às contas públicas e pela atração de recursos internacionais voltados à economia real”.

Por outro lado, na avaliação da Força Sindical, a decisão é insuficiente para aquecer o consumo e impulsionar a economia. “Um pouco mais de ousadia traria enormes benefícios para o setor produtivo, que gera emprego e renda e anseia há tempos por um crescimento expressivo da economia. É um absurdo esta mesmice conformista dos tecnocratas do Banco Central”, reclamou o presidente de central sindical, Paulo Pereira da Silva.

O sindicalista que também é deputado pelo PDT-SP, disse que a manutenção dos juros em patamares elevados prejudica a indústria nacional e propicia o fechamento de postos de trabalho. “Estamos sofrendo com a desindustrialização e com o crescimento desenfreado das importações, que estão minando nossa produção, fechando empresas e causando desemprego”.

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