Tamanho do texto

As obras de recapeamento das ruas da capital não deverão sair do papel neste ano. Apesar de a Prefeitura ter liberado em outubro, em caráter emergencial, R$ 25 milhões para a execução do serviço, estabelecido as primeiras 124 vias que receberiam asfalto novo e nomeado a Superintendência das Usinas de Asfalto (SPUA) para definir e executar o trabalho, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que só voltará a recapear ruas em 2010.

O governo municipal pretende destinar mais R$ 120 milhões do Orçamento ao serviço.

O atraso na definição do cronograma comprometeu o início das obras e tem provocado divergências entre a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras e Kassab. Em agosto, o ex-titular da pasta Andrea Matarazzo afirmou que o recapeamento começaria em outubro - o que não ocorreu. Seu sucessor, Ronaldo Camargo, anunciou um novo prazo: a segunda quinzena de novembro. Já o prefeito trabalha com uma terceira data. "A ideia é, ao longo do ano que vem, recapearmos em média R$ 10 milhões por mês num programa muito vultoso", disse à reportagem.

A Subprefeitura do Ipiranga será a principal beneficiada com a retomada do recapeamento. Das 124 vias que haviam sido escolhidas, 21 trechos, ou 71 km, serão recapeados na região. Na sexta-feira passada, a reportagem percorreu as vias do Ipiranga que deverão passar pela reforma e constatou que seis delas reúnem 15 buracos, de dimensões variadas. "Desde que mudei para cá, há 20 anos, não foi recapeado nada aqui", afirma Roberto Garcia, de 43 anos, morador da Rua Guaperoba. A Prefeitura justifica a falta de recapeamento no Ipiranga às obras do Metrô, que impossibilitaram o serviço.

Kassab e a Coordenação das Subprefeituras afirmam que as medidas necessárias para a execução das obras estão em andamento. "Foi publicado o decreto (em 22 de outubro) onde estão definidas as ruas que serão beneficiadas por essa primeira fase", explicou o prefeito.

O governo priorizou só o serviço de tapa-buracos. Neste ano, apenas 14,05 km - o equivalente a 0,1% dos 15 mil km de vias da cidade - foram contemplados com asfalto novo. Entre 2005 e 2008, foram feitos, em média, 222 km ao ano e investidos R$ 317,7 milhões, de acordo com a secretaria. A Prefeitura calcula que o serviço é capaz de evitar o aparecimento de, aproximadamente, 65 mil buracos por ano - o que significaria economia anual de até R$ 4,6 milhões.

Em 2009, a média de buracos tapados por dia é de 2.019. Até 15 de novembro, a Coordenação das Subprefeituras afirma que 624 mil foram fechados.

Os buracos estão entre as três principais fontes de queixas em 20 das 31 subprefeituras. As 265 reclamações do primeiro trimestre de 2009 representam 41% dos 640 registros feitos à ouvidoria durante o ano passado inteiro.

"O tapa-buracos é paliativo e o recapeamento não pode ser feito indiscriminadamente", defende Fernando Augusto Júnior, da Associação Brasileira de Pavimentação. O correto, diz, seria buscar uma solução que reduzisse a frequência de intervenções no asfalto e, consequentemente, os custos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.