Tamanho do texto

Mar Gonzalo. Nova York, 15 out (EFE).- O índice Dow Jones Industrial, principal das bolsas de Nova York, fechou hoje com a segunda maior queda por pontos e a nona em percentagem de sua história, perdendo assim grande parte dos ganhos de segunda-feira.

Se no primeiro pregão da semana o índice conseguiu subir mais de 11%, no que foi a maior alta em pontos da história, hoje o Dow Jones caiu 7,87%, para ficar 21% abaixo do nível que terminou em setembro.

A acentuada queda no início do pregão nova-iorquino se aguçou na reta final do dia, depois de o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, advertir que a estabilização dos mercados financeiros buscada, através de medidas, por Governos e instituições de todo o mundo não será suficiente para garantir a recuperação econômica.

"A estabilização dos mercados financeiros é um primeiro passo fundamental. Entretanto, mesmo que se estabilizem como esperamos, uma recuperação econômica mais ampla não chegará como ato seguido", disse Bernanke em Nova York.

No mesmo sentido, o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, expressou sua confiança em que a compra governamental de ações bancárias estabilizará o sistema financeiro, porém advertiu que as dificuldades econômicas continuarão.

Dessa forma, ambos trouxeram à tona os temores de muitos analistas e investidores, que vêem cada vez mais indícios de que a crise financeira internacional já atinge a economia real.

Essa percepção também arrasou os pregões europeus, onde se registraram quedas, entre outros locias, em Londres (7,16%), Frankfurt (6,49%), Paris (6,28%), Zurique (5,58%), Milão (5,33%) e Madri (5,06%).

Para os mercados internacionais, pouco serviu saber que a inflação na zona do euro caiu 3,6% e que o próprio Bernanke deixasse transparecer uma possível redução das taxas de juros, ao apontar que é previsível uma contenção no ritmo de crescimento dos preços nos EUA, em parte devido à queda no preço do petróleo.

Tanto o Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve), de referência nos EUA, como o Brent, principal na Europa, caíram em torno de 5%, para fechar em seu preço mais baixo nos últimos 13 meses.

O ânimo dos investidores se deixou levar pela corrente pessimista que inunda os mercados financeiros e que se viu alimentada pela publicação de dados que reforçam a tese de que a crise financeira prejudicou a economia real.

A aceleração final da queda da bolsa nova-iorquina coincidiu com a difusão do chamado Livro Bege, uma compilação de relatórios sobre os 12 distritos que formam o sistema do Fed.

Nele, se assegura que a atividade econômica perdeu força em setembro em todo EUA e que os empresários ficaram mais pessimistas sobre o futuro.

Na maioria dos distritos, a despesa dos consumidores americanos diminuiu, a atividade fabril se desacelerou, o mercado imobiliário perdeu força, pioraram as condições do mercado de trabalho e os bancos endureceram seus critérios para a concessão de créditos.

Além disso, nos EUA foi anunciado que as vendas no varejo retrocederam em um mês 1,2%, para seu nível mais baixo em três anos, e muitas empresas americanas divulgaram seus resultados empresariais.

Embora em geral esses resultados tenham superado as expectativas, refletiam grandes perdas ou quedas de lucro nos nove primeiros meses do ano e no terceiro trimestre, com exceções como a Coca-Cola.

Assim, o banco americano JP Morgan Chase anunciou que seu lucro nos nove primeiros meses do ano foi 60% inferior ao do mesmo período de 2007 e o Wells Fargo informou sobre uma queda de 20%.

Além disso, as companhias aéreas americanas American Airlines e Delta reconheceram perdas de US$ 1,731 bilhão e US$ 7,484 bilhões, respectivamente. EFE mgl/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.